segunda-feira, 2 de março de 2020

Cenário 29/02/2020

O dólar recuou ante outras moedas principais ontem, em um quadro de aumento nas apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) terá de agir para apoiar a economia americana com cortes nos juros. Declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, contribuíram para fortalecer esse movimento à tarde. 

As Bolsas dos Estados Unidos tiveram as maiores perdas em uma só semana desde a crise de 2008, diante do crescente número de casos de coronavírus fora da China e o aumento do temor do impacto econômico da doença.No Brasil, o Ibovespa teve a maior queda semanal em quase nove anos.

O índice Dow Jones caiu 1,39% ontem, 28, e desabou 12,36% na semana. O S&P 500 mergulhou, respectivamente, 0,82% e 11,49%. O Nasdaq terminou a sessão estável, mas cedeu 10,54% na semana.

Tamanho o estrago no mercado financeiro fez com que as autoridades americanas explicitassem que estão prontas para tomar medidas se a chamada economia real for afetada.

“O Fed monitora de perto os acontecimentos e suas implicações para a perspectiva econômica”, escreveu Powell em um comunicado, destacando que o coronavírus “representa riscos em andamento para a atividade econômica”.

A fala foi interpretada por operadores e analistas como uma sinalização de que o Fed vai baixar ainda mais os juros - as taxas estão atualmente no intervalo de 1,50% a 1,75%.

Antes mesmo do pronunciamento de Powell, o Bank of America Merrill Lynch passou a prever uma redução de 0,5 ponto porcentual nos juros americanos no meio de março, como forma de diminuir o “pânico do mercado”. O Goldman Sachs, por sua vez, agora estima três cortes de juros até junho.

No Brasil, o Ibovespa teve uma reação ontem, 28, depois de quatro sessões consecutivas de queda. O índice chegou a terminar na máxima do dia, com valorização de 1,15%, aos 104.171,57 pontos. Na semana, contudo, a baixa foi de 8,37%, a maior queda desde agosto de 2011 - auge da crise da dívida na periferia da zona do euro.

O que ajudou a impulsionar o índice na sessão de ontem, 28, foi o desempenho dos grandes bancos brasileiros. Na opinião de analistas, as quedas recentes nestas ações foram muito severas. Os papéis ordinários do Bradesco subiram 2,40% e os preferenciais do Itaú Unibanco avançaram 2,99%.

No câmbio, o dólar chegou a bater o nível máximo de R$ 4,5141, mas terminou o dia com suave valorização de 0,05%, a R$ 4,4785. Ainda assim, a moeda americana renovou o recorde nominal de fechamento do Plano Real.

Para acalmar o mercado de câmbio, nesta semana, o BC injetou US$ 2,5 bilhões, adicionalmente às operações de rotina. 

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da China caiu de 50,0 em janeiro para 35,7 em fevereiro, informou o Escritório Nacional de Estatísticas do país na noite desta sexta-feira. O resultado veio abaixo da expectativa de analistas ouvidos pelo Wall Street Journal, que previam recuo a 43,0. A marca abaixo de 50,0 indica contração da atividade no país asiático.

Já o PMI de serviços chinês recuou de 54,1 em janeiro para 29,6 em fevereiro. 

A Comissão Nacional de Saúde da China informou ontem que o número de casos de coronavírus no país subiu para 79.251 e o total de mortes aumentou para 2.835. Em relação à quinta-feira, foram 427 novos infectados e 47 novos óbitos.

Em comunicado, o órgão chinês afirmou, também, que há 1.418 casos suspeitos na China e que 39.004 pessoas já foram curadas. O documento informou, ainda, que há dez casos da doença confirmados em Macau, 32 em Taiwan, com uma morte, e 94 em Hong Kong, com dois óbitos.

Na minha visão, o mercado precificou um cenário de recessão e caos.

Bolsas varreram, em uma semana, meses de valorização.

O trabalho de formiguinha, dia após dia, semana após semanas, mês após mês, foi anulado em poucas sessões.

Enquanto o morador colocava flores na janela, trocava a luminária, ajeitava um quadro para que não ficasse torto e ainda instalasse um ar-condicionado, deixando tudo nos conformes, de maneira serena e gradual, veio uma bomba de fora e fez em estrago.

Mais ou menos como soltar um elefante em uma loja de cristais.

O mercado brasileiro "quer" subir, maior prova disso foi o fechamento na máxima, no pregão que encerrou a semana, com uma simples redução de baixa no exterior, após Jerome Powell, no final da tarde.

Porém, entretanto, todavia, vivemos em um mundo globalizado.

Vai depender em grande parte do front externo.

Alguns apontamentos interessantes com base no gráfico diário do IBOV:

  • temos uma LTA que liga os preços desde junho/2018, ela foi perdida;
  • a mínima de ontem tocou, de forma praticamente milimétrica, o fundo de outubro/2019, que gerou o rally no final desse ano;
  • temos um martelo clássico no diário, com longa sombra inferior e corpo pequeno e verde;
  • existe uma estrutura mega decisiva, na minha opinião, que separa o joio do trigo, o voo de galinha do voo de águia, sendo essa formada pela banda de bollinger inferior, LTA supra citada (penso que haverá um pull back), média móvel de 5 períodos e fundo de novembro/2019.

Bom final de semana.

Segunda-feira estaremos juntos.

Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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