sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Cenário 28/02/2020

O fluxo cambial registrado na semana passada (de 17 a 21 de fevereiro) ficou negativo em US$ 4,199 bilhões, informou há pouco o Banco Central.

O canal financeiro apresentou saída líquida de US$ 7,891 bilhões na semana, resultado de aportes no valor de US$ 8,018 bilhões e de envios no total de US$ 15,909 bilhões. Este segmento reúne os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.

No comércio exterior, o saldo na semana passada ficou positivo em US$ 3,692 bilhões, com importações de US$ 3,875 bilhões e exportações de US$ 7,566 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 577 milhões em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), US$ 5,075 bilhões em Pagamento Antecipado (PA) e US$ 1,915 bilhão em outras entradas.

A posição cambial líquida do Banco Central atingiu US$ 327,954 bilhões, conforme dados divulgados há pouco pela instituição. O montante tem como referência o dia 21 de fevereiro. No fim de janeiro, essa posição estava em US$ 329,850 bilhões.

A posição cambial líquida traduz o que está disponível para que o BC faça frente a alguma necessidade de moeda estrangeira - como fornecer liquidez ao mercado em momentos de crise, por exemplo.

A posição leva em conta as reservas internacionais, o estoque de operações de linha do BC (venda de dólares com compromisso de recompra), a posição da instituição em swap cambial e os Direitos Especiais de Saque (DES) do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ouro fechou em baixa modesta hoje, após oscilar entre ganhos e baixas durante a sessão. O metal continua a ser apoiado pela cautela com o coronavírus e seus impactos na economia global, mas mostra pouco impulso após se aproximar de máximas em sete anos.

O ouro para abril fechou em baixa de 0,04%, em US$ 1.642,50 a onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).

O London Capital Group afirmou que o contrato do ouro "tomou um fôlego" hoje, após avanços fortes recentes. De qualquer modo, continua a existir cautela com os casos de coronavírus pelo mundo e seus desdobramentos para a economia global. A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que o coronavírus tem potencial para se tornar uma pandemia, embora também tenha afirmado que o surto pode ainda ser contido.

Após o dólar chegar a ser negociado na faixa dos R$ 4,50 na tarde de hoje, no maior valor nominal da história, o Banco Central decidiu intensificar sua atuação no mercado de câmbio brasileiro. A instituição programou para esta sexta-feira três operações cambiais que, juntas, representam a oferta de US$ 4,65 bilhões às instituições financeiras.

Com as operações, o BC espera atenuar a alta da moeda americana, que em 2020 já está próxima dos 12%. Hoje, em meio aos temores de que a epidemia do novo coronavírus poderá prejudicar ainda mais o crescimento global, o dólar à vista fechou em alta de 0,79% no Brasil, aos R$ 4,4764. Foi a sétima sessão consecutiva de elevação da moeda americana.

O dólar vem subindo em todo o mundo nos últimos dias, em meio à busca, pelos investidores, por ativos de proteção. Por trás do movimento está o avanço do coronavírus em vários países, como a Itália, mais recente foco da epidemia.

No Brasil, porém, o cenário político conturbado tem servido de estímulo para um dólar ainda mais caro. Investidores citam a preocupação de que as manifestações de apoio ao governo de Jair Bolsonaro, programadas para 15 de março, prejudiquem a aprovação de reformas no Congresso Nacional. Neste ambiente, o BC decidiu entrar nos negócios amanhã em pelo menos três momentos.

Às 9h30, a autarquia promoverá um leilão de swap cambial com oferta de US$ 1,0 bilhão. O swap é um tipo de contrato cambial cuja negociação tem efeito equivalente à venda de dólares no mercado futuro. É justamente o mercado futuro de dólar o mais líquido no País e o que costuma conduzir as cotações - inclusive, do dólar à vista.

Depois disso, às 10h20, o BC promoverá dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra da moeda no futuro - os chamados “leilões de linha”, no jargão do mercado. Na operação, o BC ofertará um total de US$ 3,0 bilhões.

Neste caso, a instituição estará apenas fazendo a rolagem de contratos de linha que estavam programados para vencer no início de março - em outras palavras, o BC estará “adiando” o momento da recompra de dólares vendidos meses antes ao mercado, de março para períodos mais à frente. Embora isso não signifique a injeção de “dinheiro novo” no sistema, ao fazer a rolagem o BC evita que as cotações do dólar sofram pressão adicional, justamente em um momento em que a tendência da moeda americana já é de elevação.

Por fim, o BC promoverá, às 11h30, novo leilão de swap cambial, desta vez no valor de US$ 650,0 milhões. Neste caso, a operação será para a rolagem antecipada de vencimentos programados para abril. Novamente, ao promover a rolagem, o BC evitará uma pressão adicional sobre as cotações do dólar.

Também chama atenção o fato de o BC programar essas operações justamente para o último dia útil do mês - no caso, 28 de fevereiro -, quando a instituição costumava ficar fora dos negócios com a moeda americana.

O último dia útil de cada mês é caracterizado por uma disputa entre especuladores e investidores em geral para a determinação da Ptax - a taxa de câmbio calculada pelo BC com base em uma espécie de média das cotações da moeda americana no dia. Uma parte do mercado costuma pressionar para que as cotações da Ptax fiquem mais elevadas, enquanto outra parte atua para que elas caiam. É a briga entre “comprados e vendidos”, bastante conhecida no mercado cambial.

Essa disputa é importante porque o valor da Ptax do último dia útil do mês servirá como referência para a liquidação dos contratos futuros de dólar que vencem no início do mês seguinte. Dependendo do valor da Ptax, investidores podem registrar lucros ou prejuízos de bilhões de dólares.

Por conta desta característica, o BC sempre evitou realizar operações cambiais no último dia útil de cada mês - inclusive as de rolagem, que em tese têm efeitos menores sobre os preços do dia.

Com a pressão de alta para o dólar, no entanto, a opção do BC para esta sexta-feira é a de realizar operações de rolagem e até mesmo ofertar recursos “novos” ao mercado, por meio de swaps.

O primeiro gráfico traz consigo uma possível barra de exaustão no IBOV.

Se voltar a operar acima de 105.260 reforçará essa leitura.

Logo abaixo temos o BOVA11, que desenhou um martelo invertido, conhecido candle de reversão.

Uma abertura em gap de alta seria o cenário ideal para confirmar esse sinal, naturalmente desde que o gap permaneça aberto e tenhamos uma sessão positiva.



Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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