sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Cenário 27/12/2019

As bolsas asiáticas fecharam sem sinal único, nesta sexta-feira, mas com Xangai e Tóquio em território negativo. O dia, porém, foi atípico, ainda com volumes reduzidos graças à semana de Natal, com algumas praças, como Hong Kong, ainda se beneficiando pela expectativa positiva para a confirmação oficial da fase 1 do acordo de comércio entre americanos e chineses.

Na China continental, Xangai fechou em queda de 0,08%, em 3.005,04 pontos. A Bolsa de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 0,68%, a 1.776,11 pontos. Na agenda de indicadores, o lucro industrial da China cresceu 5,4% em novembro, na comparação anual, segundo dados oficiais.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou alta de 1,30%, a 28.225,42 pontos, seu fechamento mais forte em mais de cinco meses. Incorporadoras se saíram bem, após a China relaxar restrições a moradias em cidades pequenas e médias, o que deve facilitar que pessoas de outros locais se estabeleçam nessas cidades.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei recuou 0,36%, a 23.837,72 pontos, encerrando na mínima do dia. Recuos nos setores de mineração e alimentação contrastaram com avanços em corretoras e siderúrgicas japonesas. No próximo ano, estará em foco a estabilidade do governo do premiê Shinzo Abe, que tem ajudado o mercado acionário japonês nos últimos anos.

A Polícia Federal em Curitiba indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Antonio Palocci, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e o empresário Marcelo Odebrecht pela suspeita de pagamento de propina de R$ 4 milhões da Odebrecht ao Instituto Lula entre dezembro de 2013 e março de 2014. Há indícios, segundo a PF, de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A PF aponta “dissimulação da origem e natureza dos citados valores repassados pela Odebrecht ao Instituto Lula, cujos atos foram falsamente formalizados e informados como se se tratasse de ‘doação’”.

O inquérito da PF será encaminhado ao Ministério Público Federal, que pode ou não oferecer denúncia criminal contra Lula, Palocci, Okamotto e Odebrecht. A Procuradoria pode, ainda, devolver os autos à PF para novas diligências. Se houver denúncia, caberá à Justiça Federal decidir se abre ou não uma nova ação penal contra o ex-presidente e os outros citados.

Na avaliação do delegado, “surgem, então, robustos indícios da origem ilícita dos recursos e, via de consequência, da prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, considerando o pagamento de vantagem indevida a agente público em razão do cargo por ele anteriormente ocupado”.

Em um trecho do relatório, a PF cita a delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar, um dos 77 colaboradores da empreiteira que fizeram acordo na Lava Jato.

A Petrobras vai aumentar em 5% o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) a partir de sexta-feira nas suas refinarias, um dia depois de ter anunciado que o gás natural deverá cair cerca de 10% após a revisão de contratos com 12 distribuidoras estaduais do produto.

Seguindo a regra de reajustes trimestrais para o GLP, o aumento de 5% atinge o gás de cozinha (Botijão de 13 kg) e também o GLP industrial e comercial.

O impacto para o consumidor deverá girar em torno de 2% a 3%, já que a realização da Petrobras representa 38% do preço, sendo os outros custos distribuídos entre a comercialização e tributos.

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 2,09% em dezembro, informou há pouco a Fundação Getulio Vargas (FGV). A taxa representa forte aceleração na comparação com novembro, quando o a inflação medida pelo indicador atingiu 0,30% na margem. Com o número, o IGP-M acumulou variação de 7,30% em 2019.

O dado de dezembro ficou levemente abaixo da mediana apurada pela pesquisa Projeções Broadcast, que previa alta de 2,12% para o IGP-M de dezembro na margem, mas dentro do intervalo de 1,50% a 2,58%. Com isso, a inflação medida pelo indicador acumulada no ano também ficou um pouco abaixo da mediana do levantamento, de 7,33%, mas dentro do intervalo de 6,70% a 7,82%.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) mostrou alta de 2,84% no mês ante 0,36% na divulgação anterior e atingiu 9,08% de avanço no ano. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou de 0,20% em novembro para 0,84% em dezembro e fecha 2019 acumulado em 3,79%.

O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), divulgado pela FGV na sexta-feira anterior, 20, desacelerou a 0,14% em dezembro de 0,15% em novembro. Em 2019, o indicador acumulou alta de 4,13%.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) acelerou a 2,84% em dezembro, de 0,36% em novembro, informou há pouco a Fundação Getulio Vargas (FGV). O comportamento foi puxado por uma aceleração tanto nos preços do IPA agropecuário, que avançou de 2,84% para 6,38%, quanto do IPA industrial, cuja taxa passou de -0,45% para 1,63%.

Em 2019, o IPA acumulou alta de 9,08%, acima do IGP-M cheio, que registrou avanço de 7,30% no ano. Os preços ao produtor agropecuário acumulam inflação de 16,80%, enquanto os produtos industriais tiveram alta de 6,57%.

Em dezembro, dois estágios de produção mostraram alta nas suas taxas. A inflação dos Bens Finais avançou de 0,77% para 3,31%. A principal influência sobre o grupo partiu dos alimentos processados, cuja taxa acelerou de 2,66% para 6,78% no período. Com isso, em 2019, o grupo acumula inflação de 7,93%.

Os Bens Intermediários desaceleraram de 0,49% em novembro para 0,43% em dezembro, acumulando 2,14% de inflação no ano. Na margem, o principal responsável pelo movimento foi o subgrupo materiais e componentes para construção, cujo porcentual passou de 0,48% para -0,07%.

Já as Matérias-Primas Brutas aceleraram de -0,23% em novembro para 5,03% em dezembro, puxadas pelo comportamento do minério de ferro (-11,21% para 3,38%), bovinos (8,02% para 19,57%) e café em grão (3,60% para 15,57%). Por outro lado, contribuíram para segurar a alta do grupo cana de açúcar (1,22% para -0,63%), laranja (8,90% para -2,50%) e mandioca (9,55% para 6,45%).

As Matérias-Primas Brutas acumulam alta de 19,19% em 2019, a maior entre os estágios de produção do IPA.

O Banco do Brasil (BB) informou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a parceria estratégica entre o BB - Banco de Investimento, subsidiária integral do BB, e o banco suíço UBS para atuação em atividades de banco de investimentos e de corretora de títulos e valores mobiliários no segmento institucional no Brasil e em determinados países da América do Sul.

A instituição acrescenta, porém, que a concretização da parceria está condicionada ao atendimento de condições contratuais precedentes ao fechamento, assim como à aprovação do Banco Central do Brasil e demais instâncias competentes.

A nova empresa a ser criada reunirá ativos do BB e do UBS e não está previsto pagamento em quantia financeira. O UBS terá 50,01% de participação e o BB ficará com os outros 49,99%.

Em novembro, os dois bancos confirmaram a assinatura de acordo em caráter vinculante para a criação de uma joint venture com foco na área de banco de investimento. No final daquele mês, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, enfatizou a meta de colocar a sociedade em operação no meio do ano que vem.

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 11,2% no trimestre encerrado em novembro, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio abaixo do piso do intervalo das expectativas captadas pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma taxa de desemprego entre 11,3% e 11,5%, com mediana de 11,4%.

Em igual período de 2018, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 11,6%. No trimestre até outubro deste ano, a taxa também foi de 11,6%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.332 no trimestre encerrado em novembro. O resultado representa alta de 1,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ R$ 215,104 bilhões no trimestre até novembro, alta de 3,0% ante igual período do ano anterior.

A confiança da indústria avançou 3,2 pontos em dezembro e atingiu a marca de 99,5 pontos ante os 96,3 do mês anterior, na série com ajuste sazonal, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com isso, o indicador acumula alta de 3,9 pontos no quarto trimestre do ano.

Todos os componentes do índice mostraram melhora na margem. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu quatro pontos, de 95,8 pontos para 99,8, o maior valor desde maio de 2018 (100,2). O indicador que mede a satisfação com a situação atual dos negócios foi o que exerceu maior influência sobre o ISA, passando de 95,2 para 100,9 pontos, maior valor desde outubro de 2013.

O porcentual de empresas que avaliam a situação atual dos negócios como boa passou, entre novembro e dezembro, de 14,8% para 17,6% do total, enquanto a razão das que avaliam a situação como fraca caiu de 20,5% para 14,6%.

Já o Índice de Expectativas (IE) aumentou 2,4 pontos, para 99,2, a segunda alta consecutiva. A expectativa com relação ao volume de pessoal ocupado nos próximos três meses foi a que mais contribuiu para o avanço do índice, passando de 93,8 pontos para 97,2 pontos.

A proporção de empresas que prevê aumento de pessoal ocupado passou de 14,0% para 15,4% e a razão das que projetam redução oscilou de 13,8% para 13,5%.

Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) recuou 0,2 ponto porcentual, para 75,1%. Apesar de se tratar da segunda queda consecutiva na margem, o NUCI encerra 2019 0,8 ponto porcentual acima do nível de janeiro deste ano, de 74,3%.

"A indústria fecha o ano com boas notícias. A alta da confiança em dezembro é reflexo principalmente da melhora na percepção dos empresários a sobre os negócios e do aumento do otimismo em relação aos próximos meses. Para 2020, a continuidade da evolução favorável da confiança dependerá tanto de uma efetiva recuperação da demanda interna quanto da redução dos níveis de incerteza", diz, em nota, a economista da FGV Renata de Mello Franco.

O gráfico diário do IBOV gera algum desconforto pata quem está comprado, seja pela alta em linha reta, distância em relação à média móvel de 21 períodos ou praticamente ausência de candles vermelhos no curto prazo.

A pergunta é: até quando o IBOV poderá subir sem antes corrigir?

A correção será forte ou vai haver inflexão?

Eis a questão...

Fato é: não temos sinal de topo.

Assim sendo, a carruagem segue em frente, mesmo que encontre algumas pedras pelo caminho, até segunda ordem.

Por outro lado, o momento pede atenção redobrada, na minha humilde leitura.


Bons negócios!

O Cenário voltará dia 06/01.

Um ótimo Réveillon!

Que venha 2020!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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