quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Cenário 12/12/2019

Em seu pregão de estreia na bolsa americana Nasdaq, a XP Inc. encerrou o dia valendo US$ 19 bilhões, ou R$ 78,4 bilhões. A ação, que já tinha sido precificada a US$ 27 na terça-feira, acima do teto da faixa indicativa por conta da elevada demanda do mercado, fechou com alta de 27,63%, a US$ 34,46.

Com isso, a maior corretora do País foi a empresa brasileira com o valor de mercado mais alto a desembarcar em Nova York em uma abertura de capital. Se estivesse na B3, bolsa paulista, a XP seria a 16.ª maior companhia, à frente de nomes como BB Seguridade, Eletrobrás, Suzano e Magazine Luiza. O montante equivale a 25% do valor de mercado do Itaú Unibanco (R$ 328 bilhões), que há dois anos pagou cerca de R$ 6 bilhões por quase metade da companhia.

A oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) movimentou US$ 2,25 bilhões, com mais de US$ 1 bilhão indo para o caixa da companhia. Uma das frentes que começará a ser explorada é o oferecimento de serviços bancários, porta aberta após aval do Banco Central (BC), que autorizou a XP a atuar como um banco múltiplo. Com a permissão de lançar cartões como débito e crédito, a companhia poderá, ao oferecer mais produtos, estimular os clientes a concentrarem seus recursos na XP.

O avanço “mais rápido de reformas fiscais e aumento do ritmo do Produto Interno Bruto acima do esperado” para os próximos anos podem levar o Brasil a receber uma elevação da nota soberana pela S&P Global Ratings, comentou em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast Livia Honsel, diretora associada da agência internacional de rating. Ontem, a instituição reafirmou a nota BB- do País, mas elevou a perspectiva, de estável para positiva.

Livia não expressou quando tal avaliação mais favorável da nota soberana do Brasil poderia ocorrer pela S&P. “Uma retomada mais forte do crescimento pode ter efeito positivo para avaliação de rating do País. O progresso das reformas fiscais também seria favorável. Não se trata de fatos específicos, mas de um conjunto de elementos que mostrarão uma evolução das condições econômicas do Brasil.”

A diretora associada da S&P ponderou, contudo, que se não avançarem as reformas fiscais em 2020, tal situação poderá ter impacto na avaliação da nota soberana do Brasil. “Certamente isto será considerado por nós”, destacou. “Temos 12 meses para a próxima decisão sobre rating.”

De acordo com Livia, os juros básicos menores, que ajudarão a reduzir o tamanho do déficit nominal nos próximos anos, e um cenário de encolhimento deste passivo foram fundamentais para a elevação da perspectiva do País.

As operações de fusões e aquisições atingiram até novembro um total de R$ 275,8 bilhões, um valor recorde, superando em quase R$ 90 bilhões o movimentado durante todo ano passado: R$ 188,7 bilhões, de acordo com a consultoria TTR Transactional Track Record. Até novembro, foram mapeadas 1.217 transações, 10,2% acima de 2018. Os grupos estrangeiros responderam por quase 60% dos negócios, ou R$ 161,3 bilhões, com 281 operações fechadas.

Wagner Rodrigues, diretor responsável pelo levantamento da TTR, diz que os valores computados até novembro foram “inflados” pela Petrobrás, que arrematou no leilão do pré-sal, no início do mês passado, duas das quatro áreas do bloco de Búzios, da Bacia de Santos, por R$ 68 bilhões. Mesmo assim, se excluído este negócio, a marca é recorde em valor na série histórica da consultoria, batendo o desempenho de 2018, até então a melhor marca.

A estatal brasileira foi a protagonista este ano das operações de fusões e aquisições no mercado tanto do lado comprador quanto do vendedor. Em abril, a Petrobrás vendeu o gasoduto TAG para a francesa Engie, por US$ 8,6 bilhões. Foi o maior negócio fechado por um grupo estrangeiro em 2019. No ano passado, as transações lideradas por estrangeiros somaram R$ 85 bilhões.

No início de novembro, a petroleira também se desfez da Liquigás, divisão de gás de cozinha, por R$ 3,7 bilhões. A empresa foi adquirida por um consórcio liderado pela brasileira Copagaz - Itaúsa e Nacional Gás também participaram.

Multinacionais americanas, após três anos consecutivos de queda de investimentos no País, voltaram a aumentar seu interesse em ativos brasileiros. De janeiro a novembro, elevaram em 6% o volume de transações, com 112 negócios registrados. As empresas dos Estados Unidos investiram cerca de R$ 15 bilhões em aquisições no Brasil, com a maior parte deste investimento direcionado para as empresas locais que atuam no segmento de tecnologia e internet.

Até o fim de novembro deste ano, o setor tecnologia se afirma como o grande líder em número de transações com 302 negócios registrados, o que representa um crescimento de 31% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor financeiro aparece como o segundo mais ativo com 181 transações, alta de 21%.

A aprovação da reforma da Previdência e o crescimento da economia devem impulsionar os negócios no País. Se no mercado de capitais a participação do investidor estrangeiro foi mais tímida, as transações de fusões e aquisições seguirão firmes.

Para Bruno Fontana, chefe da área de banco de investimento do banco Credit Suisse, o crescimento do PIB, acima do esperado, deverá estimular o mercado fusões e aquisições nos próximos meses. “O investidor estratégico tem uma visão de longo prazo. Oscilações de câmbio, por exemplo, têm um impacto menos relevante nas análises de retorno no longo prazo”, diz.

O PIB mais robusto que o esperado, segundo Fontana, reforça a perspectiva de mais negócios envolvendo ativos brasileiros. O Credit Suisse prevê um crescimento do PIB de 2,5% em 2020.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou há pouco a medida provisória que transferiu o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Economia para o Banco Central. Em agosto, o presidente Jair Bolsonaro editou a MP que provocou a alteração, mudando o nome do Coaf para Unidade de Inteligência Financeira (UIF). O texto aprovado pela Câmara retoma o nome Coaf para o órgão.

Mesmo com a inflação recente um pouco mais alta, o Banco Central voltou a cortar os juros no Brasil. A instituição reduziu na noite de hoje a Selic (a taxa básica da economia) em 0,50 ponto porcentual, de 5,00% para 4,50% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo e, com isso, a Selic atingiu um novo piso histórico. Em sua decisão, porém, o BC não se comprometeu com novos cortes no início de 2020.

Com a Selic no menor patamar já visto, o Brasil deixou de aparecer, pela primeira vez, entre os dez países com as maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo. Levantamento do site MoneYou e da Infinity Asset mostra que o juro real do Brasil, de 0,64%, é agora o 11º maior entre as 40 economias mais relevantes do planeta. No topo do ranking estão o México (3,23%), a Turquia (2,85%) e a Índia (2,54%).

A decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) - formado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pelos oito diretores da autarquia - era largamente esperada. De um total de 60 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 59 projetavam recuo de 0,50 ponto, para 4,50% ao ano. Apenas uma casa esperava por corte de 0,25 ponto porcentual, para 4,75% ao ano.

Em comunicado sobre a decisão, o BC afirmou que a atividade econômica, a partir do segundo trimestre deste ano, ganhou tração no Brasil. Ao mesmo tempo, pontuou que essa recuperação seguirá em ritmo gradual.

O BC optou, no documento, por não tratar diretamente de eventos recentes que influenciam a inflação, como a alta dos preços das carnes e a apreciação do dólar ante o real. No entanto, a instituição elevou sua projeção de inflação para este ano.

Após as carnes impulsionarem o IPCA - o índice oficial de preços - de novembro, o BC subiu de 3,4% para 4,0% a projeção para a inflação em 2019. No caso de 2020, a expectativa passou de 3,6% para 3,5% e, em relação a 2021, foi de 3,5% para 3,4%.

O diário do IBOV mostra um tendência de alta franca e plena, com a média móvel de 5 períodos tendo atuado como suporte e limitado a baixa nos últimos pregões, que pode ser classificada como correção no tempo.

Teremos uma prova de fogo em 111.450, onde o mercado poderá formar um topo duplo ou um novo pivot de alta.


Bons negócios!

Um ótimo dia.

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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