quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Cenário 11/12/2019

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em alta nesta quarta-feira, à espera de desdobramentos das negociações comerciais entre EUA e China, antes de um prazo que vence no fim de semana para Washington impor mais tarifas aos chineses, e também da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Nos negócios da China continental, o índice Xangai Composto subiu 0,24% hoje, a 2.924,42 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,44%, a 1.639,50 pontos.

No domingo (15), vence o prazo para que os EUA adotem tarifas extras a US$ 156 bilhões em importações chinesas, que incluem produtos populares, como smartphones e brinquedos. Ontem, o The Wall Street Journal noticiou que a punição tarifária poderá ser adiada, citando fontes com conhecimento das discussões. Por outro lado, o diretor do Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro, disse em entrevista à Fox Business que "não há indicação" de que as tarifas não entrarão em vigor no fim de semana.

Desde outubro, EUA e China vêm negociando para tentar finalizar o que chamam de "fase 1" de um acordo comercial.

Investidores na Ásia também aguardam o anúncio de política monetária do Fed, que será feito na tarde de hoje. A expectativa é que o BC americano mantenha seus juros básicos na faixa atual de 1,50% a 1,75%, após cortá-los três vezes entre julho e outubro. O foco, então, será no comunicado do Fed e nos comentários de seu presidente, Jerome Powell, que poderá sinalizar como a instituição poderá se comportar mais adiante.

Em outras partes da região asiática, o japonês Nikkei teve baixa marginal de 0,08% na Bolsa de Tóquio nesta quarta, a 23.291,86 pontos, pressionado por ações dos setores de eletrônicos e bancário, mas o Hang Seng avançou 0,79% em Hong Kong, a 26.645,43 pontos, o sul-coreano Kospi subiu 0,36% em Seul, a 2.105,62 pontos, e o Taiex se valorizou 0,63% em Taiwan, a 11.700,77 pontos

A oferta pública inicial de ações (IPO) da XP Investimentos na Nasdaq movimentou US$ 2,25 bilhões. A demanda em 14 vezes o volume ofertado. Isso significa que as ordens dos investidores ultrapassaram os US$ 30 bilhões. O papel começa a ser comercializado na bolsa americana hoje.

De acordo com apuração da repórter Fernanda Guimarães, diante da forte procura, a ação foi precificada em US$ 27, acima da faixa indicativa de preço do prospecto da oferta, que ia de US$ 22 a US$ 25.

Com esse valor, a XP chegará avaliada como companhia aberta em US$ 14,9 bilhões, ou R$ 61,7 bilhões, cerca de 20% do valor de mercado do Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil e um dos sócios da XP.

Foram vendidas na oferta 72,51 milhões de ações classe A. Desse volume, 42,53 milhões fazem parte da oferta primária, que é aquela que injeta recursos no caixa da empresa. Outras 29,95 milhões ações são da oferta secundária, que dão recursos aos sócios da empresa. Com a demanda elevada, foram vendidas mais 10,87 milhões de ações extras.

Além de sócios executivos da XP, foram vendedores na oferta os fundos General Atlantic e Dynamo. O Itaú Unibanco, que há um pouco mais de dois anos adquiriu 49,9% das ações da XP, não vendeu sua participação.

A expectativa do mercado financeiro de que o atual primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, não apenas seria mantido no cargo nas eleições gerais de amanhã como também teria uma ampla base governista no Parlamento caiu por terra pouco mais de 24 horas antes da realização do pleito. Uma pesquisa divulgada na noite de ontem e registrada pelo Broadcast mexeu imediatamente com vários ativos britânicos - em especial a libra. Agora cedo, a moeda caía para US$ 1,3153, ante US$ 1,3194 do fim da tarde de ontem, após ter mostrado desvalorizado mais acentuada mais cedo.

A maior preocupação do mercado é que uma nova administração de Johnson sem uma maioria no Legislativo possa levar a uma nova suspensão do Parlamento para que ele coloque seu plano do Brexit em vigor. Afinal "Get Brexit Done" (Vamos entregar o Brexit) é um slogan de campanha que o candidato pretende cumprir até o fim de janeiro. Em setembro, o primeiro-ministro adotou essa saída, que foi parar na Justiça e recebeu forte desaprovação da população. Johnson tem sido apontado como o preferido nessas eleições não por causa de seus admiradores, mas pelo fato de que o principal opositor, Jeremy Corbyn, dos Trabalhistas, contar com uma rejeição ainda maior dos eleitores.

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 1,83% na primeira prévia de dezembro, após ter aumentado 0,08% na primeira prévia de novembro. A informação foi divulgada há pouco pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Com o resultado, o índice acumulou elevação de 7,03% neste ano e em 12 meses.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a primeira prévia do IGP-M de dezembro. O IPA-M, que representa os preços no atacado, aumentou 2,57% este mês, ante um avanço de 0,09% na primeira leitura de novembro. O IPC-M, que corresponde à inflação no varejo, apresentou alta de 0,59% nesta medição, depois de uma redução de 0,06% em igual leitura do penúltimo mês de 2019. Já o INCC-M, que mensura o custo da construção, teve recuo de 0,12% na primeira prévia de dezembro, depois da alta de 0,29% na primeira medição de novembro.

O IGP-M é usado para reajuste de contratos de aluguel. O período de coleta de preços para cálculo do índice foi de 21 a 30 de novembro. No dado fechado do mês de novembro, o IGP-M teve elevação de 0,30%.

O diário do IBOV indica uma correção no tempo, quando o movimento é suave e comedido.

Na minha visão, uma queda até 109.670 seria admissível, sem nenhuma alteração na trajetória altista vista nas últimas sessões.

Abaixo disso, o cenário seria colocado em xeque, pelo menos no curtíssimo prazo.

Por outro lado, caso o preço seja sustentado pela média móvel de 5 períodos, seria um sinal de força, resiliência e maturidade do movimento comprador.


Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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