terça-feira, 29 de outubro de 2019

Cenário 29/10/2019

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta terça-feira, com investidores mostrando alguma cautela antes da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e acompanhando de perto os desdobramentos da disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Nos negócios da China continental, o índice Xangai Composto caiu 0,87%, a 2.954,18 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,94%, a 1.642,68 pontos.

O Fed inicia hoje sua reunião de política monetária, mas só anunciará decisão nesta quarta-feira. Segundo analistas, o BC americano deverá cortar seu juro básico pela terceira vez este ano, diante dos sinais de desaceleração da economia global, em boa parte relacionados à prolongada rixa comercial entre Washington e Pequim.

As últimas novidades do diálogo sino-americano, porém, são favoráveis. Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que espera assinar um acordo comercial com a China "antes do esperado". A expectativa é que Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, firmem um acordo preliminar durante reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) marcada para meados de novembro, no Chile.

Os Estados Unidos vão considerar renovar por até doze meses exclusões tarifárias para US$ 34 bilhões em importações da China, num momento em que as duas maiores potências econômicas globais tentam chegar a um acordo comercial, segundo comunicado do Escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês) dos EUA.

Em dezembro de 2018, bens chineses totalizando US$ 34 bilhões foram isentos de tarifas adicionais impostas por Washington em julho do ano passado. Essa exclusão, porém, irá vencer no fim de dezembro deste ano.

O mercado imobiliário do Reino Unido registrou em outubro o 11º consecutivo em que a alta dos preços foi inferior a 1%. O ritmo de correção dos imóveis segue abaixo do crescimento dos salários e da inflação ao consumidor, conforme apontou o índice mensal da habitação divulgado agora cedo pela Nationwide Building Society. De acordo com o indicador, a elevação de setembro para este mês foi de apenas 0,2%, para 429,1 pontos. Na comparação com o mesmo mês de 2018, o aumento foi de 0,4%.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, vai enviar esta semana ao Congresso um pacote com cinco eixos para conter os gastos do governo federal: PEC Emergencial, reforma administrativa, PEC DDD, pacto federativo e plano de ajuda a Estados.

A vertente principal é a chamada PEC Emergencial, que vai trazer propostas para frear o crescimento dos gastos obrigatórios do Orçamento, com especial atenção para aqueles com pessoal. A ideia é abrir espaço nas contas públicas para investimento. A expectativa é obter uma economia de R$ 27 bilhões. Os instrumentos incluem, entre outros, o congelamento de reajustes salariais, a redução de jornada de servidores e a suspensão de repasses do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para o BNDES.

No eixo da reforma administrativa, a estabilidade dos servidores pode ser revista. A proposta deve aumentar o rigor da avaliação por desempenho e reduzir o número de carreiras e os salários iniciais.

No âmbito da PEC DDD (desvincular, desindexar e desobrigar), a ideia é tornar as despesas mais flexíveis. Uma das propostas é unificar os porcentuais mínimos de aplicação de recursos em saúde e educação, inclusive para Estados e municípios. Outra medida é a desvinculação de 280 fundos setoriais, como o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), que tem dinheiro parado sem possibilidade de uso em outras áreas.

O eixo do pacto federativo - também chamado "Plano Waldery", em referência ao secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues Junior - prevê nova divisão dos recursos de Estados e municípios, com repartição dos recursos de royalties de exploração do pré-sal que hoje ficam apenas com a União.

Por fim, no programa de ajuda aos Estados - ou "Plano Mansueto", em alusão ao secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida - o foco será o socorro aos governos pouco endividados, mas com dificuldades de caixa. Este é o único eixo que não depende de mudança constitucional.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 1,00 ponto e atingiu 94,6 pontos em outubro ante os 95,6 de setembro, informou há pouco a Fundação Getulio Vargas (FGV). É o menor resultado desde outubro de 2018, quando o ICI atingiu a marca de 94,2 pontos. Mesmo assim, a média móvel trimestral permanece estável frente à última divulgação, em 95,3 pontos.

A maior retração aconteceu no Índice de Expectativas (IE), que perdeu 1,3 ponto e foi a 93,9 pontos, menor valor desde julho de 2017. O resultado foi puxado por uma retração de 2,0 pontos no indicador de emprego previsto, com a piora das expectativas das empresas sobre a evolução do pessoal ocupado nos próximos três meses. A proporção de estabelecimentos que projetam redução do quadro de pessoal cresceu de 15,1% em setembro para 19,2% em outubro, enquanto a parcela que projeta aumento nas contratações ficou estável em 14,9%.

O gráfico diário do IBOV segue subindo a ladeira, no ritmo devagar e sempre.

Muitos players tentam adivinhar o topo, porém temos uma situação complexa, com o semanal forte e o diário esticado.

Muitos ativos de peso mostram cansaço, enquanto outros rompem figuras expressivas e parecem ter espaço para apreciação.

Apertem os cintos e olho vivo nos balanços.



Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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