segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Cenário 14/10/2019

A guerra comercial sino-americana fez as importações de produtos dos Estados Unidos pela China recuar 20,6% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2018. Já as exportações da China para os Estados Unidos recuaram 17,8%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 14, pela Administração Geral das Alfândegas.

Os dois países concordaram, na sexta-feira, 11, em adiar novas altas de tarifas, mas não chegaram a um acordo definitivo para encerrar a guerra comercial, que já dura 15 meses.

As importações de petróleo e de minério de ferro da China subiram na comparação anual de setembro, mas as de cobre diminuíram no período, segundo dados preliminares divulgados nesta segunda-feira pela Administração Geral de Alfândega do país.

No mês passado, as compras chinesas de petróleo bruto avançaram 11% no confronto anual, a 41,24 milhões de toneladas, e as de minério de ferro aumentaram 6,3%, a 99,355 milhões de toneladas, mas as de cobre sofreram queda de 15%, a 445 mil toneladas.

Entre janeiro e setembro, a China importou 369,04 milhões de toneladas de petróleo bruto, 9,7% mais do que em igual período de 2018. Já as importações de minério de ferro tiveram redução de 2,4% nos nove primeiros meses do ano, a 784,14 milhões de toneladas, e as de cobre caíram 11%, a 3,54 milhões de toneladas.

Os dados também mostraram que a China exportou 84 mil toneladas de petróleo bruto em setembro, 71% menos do que no mesmo mês do ano passado. De janeiro a setembro, houve redução anual de 66% nas exportações de petróleo, a 756 mil toneladas.

O feriado do Dia de Colombo nos Estados Unidos nesta segunda-feira mantém o segmento de Treasuries fechado, mas os índices futuros em Nova York e as bolsas europeias operam sob cautela, após a balança comercial da China mostrar que as exportações e as importações caíram mais do que o esperado em setembro ante igual mês do ano passado. 

Além disso, a Bloomberg informa que a China quer mais conversas com autoridades americanas até o fim de outubro para discutir detalhes da "fase 1" do acordo comercial anunciado na última sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes de submetê-lo à assinatura do presidente Xi Jinping, segundo pessoas com conhecimento do assunto. 

Pequim poderá enviar uma delegação liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He, principal negociador da China, para finalizar um acordo escrito que possa ser assinado pelos presidentes durante a reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, que ocorrerá no próximo mês no Chile, disse uma das fontes. Outra fonte diz que a China deseja que Trump cancele um outro aumento de tarifas americanas programado para dezembro, além daquele que já foi suspenso esta semana, algo que a Casa Branca ainda não endossou. Essas notícias renovam as preocupações dos investidores com o desempenho da economia global. O acordo preliminar inclui a compra, por parte do governo chinês, de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos e o compromisso de se abrir ainda mais a serviços financeiros internacionais. 

Além disso, ficou acertada a suspensão norte-americana do aumento de 25% para 30% da alíquota sobre US$ 250 bilhões em importações da China, que estava previsto para começar nesta terça-feira, 15. 

No Reino Unido, a expectativa é se um acordo para o Brexit poderá ser alcançado antes do prazo final para a saída do país da União Europeia, marcada para 31 de outubro. A cúpula do bloco comum reúne-se na quinta e sexta-feira. Hoje, a rainha Elizabeth II fará seu discurso de reabertura dos trabalhos no Parlamento. Na agenda da semana, ficam no foco também o Livro Bege, do Federal Reserve, nos Estados Unidos, e o PIB da China do terceiro trimestre, cuja previsão é de desaceleração do crescimento para 5,9%, ante a alta anualizada de 6,2% no segundo trimestre. 

Na seara política (Brasil), as atenções seguem no Senado, onde a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deve analisar o projeto que divide com Estados e municípios os recursos do megaleilão do petróleo, nesta terça-feira, 15, antes de ir ao plenário. O projeto foi aprovado na Câmara na última quarta-feira, 9. A distribuição de recursos para Estados e municípios foi colocada com uma das condições para o Senado concluir a reforma da Previdência. No entanto, o relator do projeto na comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM) afirma que prefeitos e governadores não estão se mobilizando em prol da proposta na Casa e defende exigir que os prefeitos usem os recursos prioritariamente para cobrir rombos na previdência. A um ano das eleições municipais, o texto da Câmara prevê essa exigência apenas para os governadores. A data de votação da reforma em segundo turno no Senado está prevista para 22 de outubro.

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2019. O Relatório de Mercado Focus trouxe hoje que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 4,75% ao ano. Há um mês, estava em 5,00%. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 foi de 5,00% para 4,75% ao ano, ante 5,00% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção permaneceu em 6,50%, ante 7,00% de um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,00%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 0,50 ponto porcentual, de 6,00% para 5,50% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo da taxa básica. No comunicado sobre a decisão, o BC avaliou que o cenário externo, apesar de incerto, está favorável para países emergentes. Além disso, reconheceu avanços nas reformas econômicas e divulgou projeções comportadas de inflação para 2019 e 2020. Neste contexto, a instituição também indicou que pode promover novos cortes na Selic. Estas mensagens foram reforçadas pela ata do encontro e pelo Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 foi de 4,75% para 4,50% ao ano, ante 5,00% de um mês antes. No caso de 2020, permaneceu em 4,50% ao ano, ante 5,00% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 permaneceu em 6,50%. Há um mês, estava no mesmo patamar. Para 2022, a projeção do Top 5 seguiu em 6,50% ao ano, igual a um mês antes.

O diário do IBOV trás consigo uma barra relevante, desenhada no pregão de sexta-feira.

Trata-se de um marobuzu, com forte volume e fechamento perto da máxima, apesar da leve sombra superior.

O eixo de um possível "W" foi rompido aos 102.550, sendo esse o suporte imediato para o benchmark.

O comportamento dos preços nessa segunda-feira será essencial para mensurar a força da barra anteriormente citada.

Bons negócios!



Uma excelente semana.

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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