segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Cenário 09/09/2019

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, após dados fracos da balança comercial da China reforçarem expectativas de que Pequim terá de adotar ainda mais medidas de estímulos para impulsionar a segunda maior economia do mundo, que dá claros sinais de desaceleração em meio à guerra comercial com os Estados Unidos.

No fim de semana, foi divulgado que as exportações da China sofreram queda anual de 1% em agosto. O resultado frustrou analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 3% nas exportações. As importações chinesas, por sua vez, caíram 5,6% na comparação anual de agosto, o que marcou a quarta redução consecutiva.

O fraco desempenho comercial da China, que desde meados do ano passado está envolvida numa grave disputa comercial com os EUA, alimentam apostas de que Pequim será obrigada a ser ainda mais agressiva na sua política de estímulos.

A iniciativa mais recente dos chineses veio na sexta-feira (06), quando o PBoC - banco central local - anunciou cortes adicionais nos compulsórios bancários, que deverão liberar cerca de 900 bilhões de yuans (US$ 126 bilhões) para novos empréstimos.

Nos negócios da China continental, o índice Xangai Composto subiu 0,84% hoje, a 3.024,74 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,91%, a 1.689,21 pontos.

Já em Hong Kong, o Hang Seng teve ligeira baixa de 0,04%, a 26.681,40 pontos, uma vez que os protestos dos últimos meses continuaram no fim de semana, apesar de o governo local ter retirado um polêmico projeto de lei que previa expatriações para a China e foi o estopim do descontentamento popular.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei teve alta de 0,56% em Tóquio, a 21.318,42 pontos, o sul-coreano Kospi subiu 0,52% em Seul, a 2.019,55 pontos, e o Taiex avançou 0,19% em Taiwan, a 10.801,14 pontos. A expansão anualizada do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão entre abril e junho foi revisada para baixo, de 1,8% para 1,3%, segundo dados oficiais publicados ontem à noite.

Investidores da região asiática também esperam que outros grandes bancos centrais - como o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve (Fed, o BC americano) - relaxem ainda mais suas políticas monetárias, uma vez que indicadores da zona do euro e dos EUA também vêm decepcionando.

O BCE se reúne na quinta-feira (12) e o Fed, nos dias 17 e 18. Na última sexta, o relatório de emprego dos EUA (o chamado "payroll") mostrou a criação de 130 mil postos de trabalho em agosto, número bem abaixo da projeção de economistas.

Autoridades comerciais da China propuseram às autoridades comerciais dos Estados Unidos a compra de uma pequena quantidade de produtos agrícolas norte-americanos, se Washington reduzir as restrições comerciais às importações chinesas. 

Segundo fontes próximas à articulação entre os dois países, a China condicionou a oferta ao alívio nas restrições das importações da gigante chinesa de tecnologia Huawei e ao adiamento das tarifas retaliatórias sobre US$ 250 bilhões de mercadorias chinesas, que entrariam em vigor em 1º de outubro, pelo governo dos Estados Unidos. 

A proposta teria sido feita na semana passada em telefonema entre o primeiro-ministro chinês Liu He, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin. 

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica de juros) no fim de 2019. O Relatório de Mercado Focus trouxe hoje que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 5,00% ao ano. Há um mês, estava no mesmo patamar. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 permaneceu em 5,25% ao ano, ante 5,50% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção seguiu em 7,00%, igual a um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,00%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

No fim de julho, o Copom anunciou o corte da Selic de 6,50% para 6,00% ao ano. Foi a primeira queda após 16 encontros em que o colegiado manteve a taxa básica estável. Ao justificar a decisão, o Banco Central reconheceu uma evolução no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação. Além disso, sinalizou que devem ocorrer cortes adicionais da taxa. As projeções mais recentes do BC, considerando o cenário de mercado, apontam para inflação de 3,6% em 2019 e 3,9% em 2020 - dentro das metas estabelecidas para esses anos.

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 seguiu em 5,00% ao ano, igual a um mês antes. No caso de 2020, permaneceu em 5,00%, ante 5,13% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 foi de 7,00% para 6,50%. Há um mês, estava em 7,00%. Para 2022, a projeção do Top 5 passou de 7,00% para 6,50% ao ano, ante 7,00% de um mês antes.

O gráfico diário do IBOV mostra abertura em alta moderada nessa manhã de segunda-feira.

O benchmark opera em uma região nevrálgica e decisiva, sendo a mesma uma reta pescoço de um OCOI (ombro-cabeça-ombro-invertido).

Na minha interpretação, temos esse padrão de forma inclinada, por isso considero a reta pescoço a própria LTB, que guia os topos desde a máxima histórica, marcada em 10/07.

Bons negócios!

Uma excelente semana.


Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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