segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Cenário 02/09/2019

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta segunda-feira, após China e Estados Unidos imporem tarifas a mais produtos um do outro no fim de semana, numa prolongada guerra comercial que ameaça a perspectiva de crescimento da economia mundial. Os mercados chineses, porém, tiveram sólidos ganhos após Pequim voltar a sinalizar com mais estímulos e também em reação a dados positivos sobre a manufatura local.

Neste domingo (01), os EUA passaram a tarifar mais US$ 112 bilhões em bens chineses, enquanto a China também começou a impor tarifas retaliatórias a parte de uma lista de US$ 75 bilhões em produtos americanos.

Apesar da nova ofensiva na rixa comercial sino-americana, o presidente dos EUA, Donald Trump, reafirmou ontem que a retomada das negociações bilaterais ainda está prevista para este mês.

As ações da China, no entanto, foram favorecidas por fatores locais.

O índice de gerentes de compras (PMI na sigla em inglês) do setor industrial chinês medido pela IHS Markit em parceria com a Caixin Media subiu de 49,9 em julho para 50,4 em agosto, com a leitura acima da barreira de 50 sinalizando que a manufatura da segunda maior economia do mundo voltou a se expandir. No entanto, dados oficiais mostraram no sábado que a atividade manufatureira chinesa encolheu pelo quarto mês consecutivo em agosto.

Já o Conselho Estatal da China, que corresponde ao gabinete do país, afirmou em comunicado ontem que atribui "grande importância" ao desenvolvimento de setores como os de infraestrutura e de alta tecnologia, assim como à transformação de indústrias tradicionais.

O Shenzhen Composto, que é formado em boa parte por empresas de tecnologia de baixo valor de mercado, terminou o pregão desta segunda com alta de 2,26%, a 1.614,92 pontos, na esteira do comunicado do gabinete chinês. O Xangai Composto, principal índice acionário da China, subiu 1,31%, a 2.924,11 pontos.

Por outro lado, o Nikkei caiu 0,41% em Tóquio, a 20.620,19 pontos. O volume de negócios no mercado japonês, que envolveu apenas 802,81 milhões de ações, foi o mais fraco de 2019. Um feriado hoje nos EUA, por ocasião do Dia do Trabalho, pode ter comprometido a liquidez no Japão e em outras partes da Ásia.

O Hang Seng recuou 0,38% em Hong Kong, a 25.626,55 pontos, após mais um fim de semana de manifestações populares no território semiautônomo. Mas o sul-coreano Kospi registrou alta marginal de 0,07% em Seul, a 1.969,19 pontos, e o Taiex avançou 0,16% em Taiwan, a 10.634,85 pontos.

O presidente Jair Bolsonaro é rejeitado por 38% das pessoas, segundo pesquisa Datafolha realizada em 29 e 30 de agosto com 2.878 eleitores. No levantamento anterior, feito no início de julho, a rejeição do presidente era de 33%. Já a aprovação de Bolsonaro recuou de 33% para 29% no mesmo período - dentro da margem de erro, de dois pontos para cima ou para baixo. 

As pessoas que julgam o governo como regular são 31% - eram 30%. No Nordeste, a rejeição saltou de 41% para 52% entre as duas pesquisas. Bolsonaro é, de longe, o presidente eleito em primeiro mandato com maior rejeição: em agosto de 1995, Fernando Henrique Cardoso era reprovado por 15%; Lula, em agosto de 2003, por 10%; e Dilma, em agosto de 2011, por 11%.

Nos capítulos finais do Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o líder da oposição, Jeremy Corbyn (Partido Trabalhista), disse hoje que trabalhará por eleições gerais no país depois que a legislação que impede a possibilidade de realização de um divórcio sem acordo for aprovada pelo Legislativo. Em discurso agora cedo, em Manchester, Corbyn argumentou que a realização de novas eleições é o caminho democrático a se seguir neste momento e afirmou que além dessa possibilidade, a colocação de um voto de desconfiança contra o premiê também está sobre a mesa. Além do pronunciamento, ele responde a perguntas da imprensa local neste momento, um dia antes do retorno do recesso de verão do Parlamento.

Na semana passada, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, determinou com o aval da Rainha Elizabeth II, a suspensão do Parlamento de 9 de setembro até 14 de outubro. Sua estratégia é a de evitar que seus planos de continuidade do Brexit "com ou sem acordo" entre as partes seja consumado até 31 de outubro, data final para que o divórcio entre em vigor. A medida do premiê desagradou a população, que foi às ruas no fim de semana protestar contra o que chamou de "golpe".

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica de juros) no fim de 2019. O Relatório de Mercado Focus trouxe hoje que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 5,00% ao ano. Há um mês, estava em 5,25%. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 permaneceu em 5,25% ao ano, ante 5,50% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção seguiu em 7,00%, igual a um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,00%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

No fim de julho, o Copom anunciou o corte da Selic de 6,50% para 6,00% ao ano. Foi a primeira queda após 16 encontros em que o colegiado manteve a taxa básica estável. Ao justificar a decisão, o BC reconheceu uma evolução no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação. Além disso, sinalizou que devem ocorrer cortes adicionais da taxa. As projeções mais recentes do BC, considerando o cenário de mercado, apontam para inflação de 3,6% em 2019 e 3,9% em 2020 - dentro das metas estabelecidas para esses anos.

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 seguiu em 5,00% ao ano, ante 5,13% de um mês antes. No caso de 2020, foi de 5,13% para 5,00%, ante 5,38% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 seguiu em 7,00%. Há um mês, estava no mesmo patamar. Para 2022, a projeção do Top 5 permaneceu em 7,00% ao ano, igual a um mês antes.

O gráfico diário do IBOV mostra boa recuperação, com a formação de uma pinça de fundo fora das bandas de bollinger.

A barreira a ser vencida para sustentar a escalada é 101.470 na minha visão, o que poderia impulsionar o benchmark até a LTB riscada em azul.

No semanal, percebemos o toque milimétrico da LTA que guia os preços no médio prazo, com a formação de um engolfo e fechamento sobre as médias.

Bons negócios!





Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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