segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Cenário 26/08/2019

As bolsas asiáticas tiveram perdas generalizadas e significativas nesta segunda-feira, em reação a uma nova escalada na guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Na sexta-feira (23), a China anunciou tarifas sobre mais US$ 75 bilhões em produtos americanos. Horas depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu que a Casa Branca iria elevar tarifas sobre US$ 550 bilhões em bens chineses.

No fim de semana, durante reunião de cúpula do G-7 em Biarritz, na França, Trump lamentou não ter elevado ainda mais as tarifas sobre produtos da China e disse que poderia declarar a disputa sino-americana como uma questão de emergência nacional.

Na madrugada de hoje (pelo horário de Brasília), ainda em Biarritz, Trump adotou tom mais conciliatório e disse que as negociações comerciais entre EUA e China serão retomadas "em breve" e de "forma muito séria". O presidente americano acrescentou ter muito respeito pelo presidente chinês, Xi Jinping, e acreditar que um acordo será fechado. Trump, porém, fez os comentários quando a maioria das bolsas da Ásia já tinha encerrado os negócios.

Principal índice acionário chinês, o Xangai Composto fechou em baixa de 1,17% hoje, a 2.863,57 pontos. O Shenzhen Composto, que é formado por empresas com menor valor de mercado, recuou 0,77%, a 1.566,57 pontos.

No mercado japonês, o Nikkei atingiu o menor nível em sete meses e meio, com queda de 2,17%, a 20.261,04 pontos. Ações do setor de eletrônicos e de corretoras foram as que mais sofreram em Tóquio.

O índice de sentimento das empresas da Alemanha caiu de 95,8 pontos em julho para 94,3 pontos em agosto, atingindo o menor nível desde novembro de 2012, segundo pesquisa divulgada hoje pelo instituto alemão Ifo. O resultado ficou bem abaixo da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda do indicador a 95,1 pontos neste mês.

O chamado subíndice de expectativas econômicas do Ifo diminuiu de 92,1 pontos em julho para 91,3 pontos em agosto, tocando o menor patamar em mais de dez anos. Já o subíndice de condições atuais diminuiu de 99,6 para 97,3 pontos no mesmo período.

Cerca de 100 companhias transferiram suas atividades do Reino Unido para a Holanda ou montaram escritórios na União Europeia (UE) por causa do Brexit, como é chamada a saída dos britânicos do bloco comum. A informação foi divulgada hoje pela Agência de Investimentos Estrangeiros da Holanda, uma organização que atrai empresas estrangeiras para o país em nome do governo, a praticamente dois meses do prazo considerado para a separação. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que chegou ao cargo no mês passado, tem afirmado repetidamente que respeitará a data de 31 de outubro acertada entre as partes, independentemente da chegada de um consenso entre os dois lados.

A agência acrescentou que outras 325 empresas também estão considerando uma mudança temendo a perda de acesso ao mercado europeu. O cálculo de quase uma centena de companhias que já fizeram a transferência considera como data inicial para a contagem o plebiscito sobre o Brexit realizado em junho de 2016. A instituição acredita que, com a continuidade da indefinição sobre o divórcio, esses números cresçam ainda mais nos próximos meses. No Reino Unido, são raros os números oficiais sobre o tema divulgado por órgãos públicos.

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica de juros) no fim de 2019, mas alteraram a expectativa para o fim de 2020. O Relatório de Mercado Focus trouxe hoje que a mediana das previsões para a Selic em 2019 seguiu em 5,00% ao ano. Há um mês, estava em 5,50%. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 foi de 5,50% para 5,25% ao ano ante 5,50% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção seguiu em 7,00%, igual a um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,00%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

No fim de julho, o Copom anunciou o corte da Selic de 6,50% para 6,00% ao ano. Foi a primeira queda após 16 encontros em que o colegiado manteve a taxa básica estável. Ao justificar a decisão, o BC reconheceu uma evolução no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação. Além disso, sinalizou que devem ocorrer cortes adicionais da taxa. As projeções mais recentes do BC, considerando o cenário de mercado, apontam para inflação de 3,6% em 2019 e 3,9% em 2020 - dentro das metas estabelecidas para esses anos.

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 seguiu em 5,00% ao ano, ante 5,50% de um mês antes. No caso de 2020, permaneceu em 5,13%, ante 5,63% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 seguiu em 7,00%. Há um mês, estava em 7,25%. Para 2022, a projeção do Top 5 permaneceu em 7,00% ao ano, igual a um mês antes.

O gráfico diário do IBOV tem uma configuração muito interessante e decisiva: abaixo de 98K terá pressão dos ursos, pois haverá um pivot de baixa acionado; por outro lado, caso volte a trabalhar acima desse patamar, teremos um rompimento falso do pivot e ainda um fundo duplo, com relevante distância em relação à média móvel de 21 períodos, o que favorece um repique até a mesma.

Bons negócios!


Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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