sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Cenário 16/08/2019

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, encerrando uma semana turbulenta, após o governo chinês sinalizar a intenção de estimular ainda mais sua economia.

O apetite por risco na Ásia ganhou força depois de o principal órgão de planejamento econômico da China anunciar hoje que Pequim irá lançar um plano para impulsionar a renda disponível da população em 2019 e 2020. No entanto, detalhes do plano não foram revelados.

Nos mercados chineses, o índice Xangai Composto subiu 0,29%, a 2.823,82 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,55%, a 1.525,48 pontos.

Em outras partes da região asiática, o japonês Nikkei teve alta marginal de 0,06% em Tóquio, a 20.418,81 pontos, graças ao bom desempenho de ações ligadas ao consumo doméstico, enquanto o Hang Seng se valorizou 0,94% em Hong Kong, a 25.734,22 pontos, e o Taiex subiu 0,91% em Taiwan, a 10.420,89 pontos.

Apesar da relativa calma na Ásia, investidores continuam atentos aos juros dos Treasuries e a desdobramentos da disputa comercial entre Estados Unidos e China. Ontem, o rendimento do T-bond de 30 anos renovou mínima histórica e o da T-note de 10 anos atingiu o menor nível em três anos.

A queda histórica nos juros dos Treasuries veio depois que os rendimentos das T-notes de 10 e 2 anos se inverteram temporariamente na última quarta, num fenômeno do mercado de bônus que é historicamente visto como um confiável indicador de recessões econômicas.

Quanto à perspectiva comercial, a China disse ontem que terá de tomar "as contramedidas necessárias" em reação ao plano dos Estados Unidos de tarifar mais produtos chineses a partir de 1º de setembro, mas também expressou o desejo de solucionar suas desavenças comerciais com Washington por meio do diálogo.

Com as reformas da Previdência e tributária sendo encaminhadas, a equipe econômica vai gradualmente introduzindo no debate os temas da agenda liberal proposta ainda na campanha de Jair Bolsonaro. Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deu mais um sinal neste sentido, ao falar sobre privatizações.
Em evento no Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Guedes afirmou que Bolsonaro está "cada vez mais sintonizado nessa agenda de privatização". Ele relatou um diálogo que o presidente teria tido com o secretário especial de desestatização, Salim Mattar, no início da semana.

Pelo quinto mês consecutivo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) revisou para baixo sua projeção para a oferta da commodity pelo Brasil em 2019. De acordo com relatório mensal divulgado hoje, a produção doméstica será de 3,48 milhões de barris por dia (bpd) este ano. No documento anterior, a previsão era de 3,54 milhões de bpd.

A entidade, que tem sede em Viena, também cortou sua projeção de oferta de petróleo pelo Brasil em 2020, de 3,90 milhões de bpd para 3,77 milhões de bpd.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a Opep continua prevendo crescimento de 0,9% este ano e de 1,7% no próximo, como no relatório anterior.

A Cemig informa lucro líquido de R$ 2,114 bilhões no segundo trimestre deste ano, ante prejuízo de R$ 10,8 milhões no mesmo período do ano passado, dado que foi reapresentado, como a empresa explica, de acordo com os novos padrões IFRS.

O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) subiu 0,26% na segunda quadrissemana de agosto, desacelerando o ritmo de alta em relação à leitura anterior (0,32%), informou a Fundação Getulio Vargas nesta sexta-feira (16).

Dentre os oito grupos que compõem o indicador, quatro tiveram alívio no período, com destaque para Alimentação (0,37% para 0,14%), sendo que a FGV destacou o comportamento do item hortaliças e legumes (-1,33% para -4,80%).

Também arrefeceram no período os grupos Habitação (1,05% para 0,93%), por influência de tarifa de eletricidade residencial (5,47% para 4,57%); Educação, Leitura e Recreação (-0,17% para -0,33%), com contribuição de passagem aérea (-10,32% para -13,41%); e Despesas Diversas (0,27% para 0,20%), beneficiado por alimentos para animais domésticos (1,53% para 0,37%).

Em contrapartida, tiveram aceleração no ritmo de alta entre a primeira e a segunda quadrissemana de agosto os grupos Transportes (-0,41% para -0,23%), com destaque para gasolina (-1,70% para -1,08%); Vestuário (-0,24% para -0,05%), influenciado por acessórios do vestuário (0,13% para 0,93%); e Comunicação (0,09% para 0,16%) devido ao aumento de tarifa de telefone residencial (0,38% para 0,76%).

O grupo Saúde e Cuidados Pessoais repetiu a taxa de 0,37% da apuração anterior. No sentido ascendente, a FGV destacou os serviços de cuidados pessoais (0,29% para 0,35%), e, no sentido contrário, os medicamentos em geral (0,19% para 0,12%).

O gráfico diário do IBOV mostra perda de 99.630, o que configura um pivot de baixa com forte potencial de desvalorização.

Entretanto, foi acionado longe da média móvel de 21 períodos, o que limita o seu potencial de destruição de valor.

Se houver reação entre hoje e segunda-feira e o benchmark vencer 99.630 como resistência e consolidar-se acima desse patamar, o mercado provavelmente interpretará o movimento como rompimento falso e poderá decolar.

Bons negócios!


Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário