terça-feira, 13 de agosto de 2019

Cenário 13/08/2019

As bolsas asiáticas fecharam em baixa generalizada nesta terça-feira, à medida que preocupações com a onda de manifestações em Hong Kong, as tensões comerciais entre Estados Unidos e China e o cenário político na Argentina prejudicaram a demanda por ativos considerados mais arriscados, como ações.

O aeroporto de Hong Kong, um dos mais movimentados do mundo, foi reaberto hoje depois de ter suas operações impedidas por um protesto ao longo da segunda-feira.

Hong Kong tem sido palco de manifestações há 10 fins de semana consecutivos. O que começou como um ato popular contra um projeto de lei que permitiria extradições para a China acabou se transformando no maior desafio da autoridade de Pequim sobre o território semiautônomo desde que seu controle foi devolvido aos chineses pelo Reino Unido em 1997.

O índice Hang Seng terminou os negócios desta terça em Hong Kong com expressiva queda de 2,1%, a 25.281,30 pontos. Na China continental, o Xangai Composto caiu 0,63%, a 2.797,26 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,69% a 1.498,63 pontos.

O sentimento na Ásia já estava fraco em meio a crescentes sinais de que Estados Unidos e China não vão conseguir resolver sua longa disputa comercial no curto prazo.

Investidores também estão atentos à Argentina, onde uma eleição prévia realizada no fim de semana mostrou a derrota do presidente Mauricio Macri para o candidato kirchnerista ao governo federal, Alberto Fernández, levando o peso argentino e a bolsa do país a despencar ontem.

Em Tóquio, o Nikkei voltou hoje de um feriado nacional no Japão com baixa de 1,11%, a 20.455,44 pontos. Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi caiu 0,85% em Seul, a 1.925,83 pontos, interrompendo uma sequência de três pregões de ganhos, enquanto o Taiex cedeu 1,05% em Taiwan, a 10.362,66 pontos. Ontem, a Coreia do Sul decidiu retirar do Japão a classificação de parceiro comercial preferencial.

O índice de expectativas econômicas da Alemanha caiu de -24,5 pontos em julho para -44,1 em agosto, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo instituto alemão ZEW. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam queda bem menor do indicador, para -30 pontos.

Já o índice das condições atuais medido pelo ZEW diminuiu de -1,1 ponto em julho para -13,5 em agosto. Neste caso, a projeção também era de redução menor, a -9. 

O Banco Inter encerrou o lucro líquido do segundo trimestre com alta de 90,9% ante o mesmo período do ano passado, para R$ 32,9 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 13,7%, 3,2 pontos porcentuais maior do que no segundo trimestre de 2018.
O Banrisul registrou lucro líquido de R$ 335,4 milhões no segundo trimestre, com crescimento de 28% em relação ao lucro líquido do mesmo intervalo de 2018 e de 4,8% na comparação com o primeiro trimestre. O lucro líquido recorrente somou R$ 305,7 milhões no mesmo período, com ampliação de 16,7% em relação ao segundo trimestre do ano passado e redução de 4,5% na comparação com o primeiro trimestre.

O gráfico diário do IBOV mostra o estrago que as eleições na Argentina fizeram nos preços.

O índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, fechou em queda de 37,93%, perdendo 16.824,29 pontos, para uma pontuação no encerramento de 27.530,80 pontos. A segunda-feira foi de fuga do mercado acionário da Argentina, após o presidente Mauricio Macri ser amplamente derrotado em primárias eleitorais realizadas no domingo.

A disputa prévia foi vencida pelo oposicionista Alberto Fernández que, se confirmar o resultado no mesmo patamar, ganhará em primeiro turno no fim de outubro. Sua candidata a vice é a ex-presidente Cristina Kirchner e a vitória da chapa é vista como um risco por investidores, que temem a volta de uma política de relaxamento fiscal em um quadro já delicado para as contas públicas locais, além da forte recessão e da inflação alta.

Na sexta-feira, o índice Merval havia atingido máxima histórica, em meio a notícias de que Macri poderia se sair bem na disputa eleitoral. O resultado das urnas, contudo, foi bem diferente, o que gerou a onda de aversão ao risco.

O patamar de fechamento do Merval foi o mais baixo desde 30 de agosto de 2018. Até agora neste ano, a Bolsa de Buenos Aires registra queda de 9,12%, com o mercado bastante atento aos desdobramentos do quadro político neste ano eleitoral.

Se houver reação na sessão de hoje e a LTB rompida semana passada for preservada, poderemos até mesmo interpretar a movimentação como um pull back, especialmente de houver fechamento sobre 102.620.

Candles como o de ontem são muito fortes, portanto o que vem a seguir costuma definir o rumo do mercado: negação (barra média ou forte contrária), confirmação (mais uma sessão negativa), correção na parte baixa (geralmente uma pausa para continuar a sangria).

Bons negócios!



Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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