segunda-feira, 5 de agosto de 2019

CENÁRIO 05/08/2019

O mais recente recrudescimento das disputas comerciais entre os Estados Unidos e a China derrubou novamente as bolsas asiáticas nesta segunda-feira, minando ainda mais a confiança de investidores em um entendimento que pudesse pacificar de forma duradoura a escalada tarifária entre os dois países.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei caiu 1,74%, para 20.720,29 pontos. Em solo chinês, o Xangai Composto recuou 1,62%, para 2.821,50 pontos, na mínima do dia, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto terminou o pregão em queda de 1,47%, com 1.517,27 pontos.

Já na Bolsa de Seul, o índice Kospi despencou 2,56%, a 1.946,98 pontos. O índice Hang Seng, de Hong Kong, cedeu 2,85%, para 26.151,32 pontos, enquanto o australiano S&P/ASX 200 recuou 1,90%, para 6.640,30 pontos.

Os desdobramentos do anúncio pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que imporá novas tarifas de 10% sobre os US$ 300 bilhões em importações da China que ainda não foram alvo de cobranças adicionais, serviram para intensificar ainda mais a aversão a risco nos mercados.

Nesta madrugada, o South China Morning Post trouxe que uma fonte ligada às negociações comerciais sino-americanas expressou pessimismo sobre as relações entre os dois países e colocou em dúvida a continuidade das conversas após a nova ameaça tarifária. De acordo com a fonte, as ameaças do americano são "destrutivas" à medida que os EUA "se afastaram de suas promessas" nas negociações entre os dois países.

Além disso, houve também o informe da Bloomberg TV de que Pequim pediu para que algumas empresas estatais detenham as compras de produtos agrícolas americanos, justamente um dos setores mais sensíveis nas tratativas. A hesitação chinesa em aumentar aquisições desse tipo de produto dos EUA já recebeu críticas públicas reiteradas de Trump e de membros do seu governo. Mais que isso, o incremento das compras era aguardado como sinal de boa-fé da China nas negociações.

Outro importante indício de retrocesso na relação bilateral foi a tolerância do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) a que o dólar rompesse o nível psicologicamente importante de 7 yuans pela primeira vez desde 2008, dizendo que a desvalorização da moeda doméstica é resultado do protecionismo comercial e das tarifas mais altas sobre produtos chineses aplicadas pelos EUA.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da Alemanha caiu de 52,6 em junho para 50,9 em julho, o nível mais baixo em pouco mais de seis anos, informou nesta segunda-feira a IHS Markit.

O PMI de serviços do país desceu de 55,8 para 54,5 na leitura final do mesmo intervalo, contrariando e leitura preliminar para o mês passado, de queda menor, a 55,4, que era também a projeção de analistas consultados pelo Wall Street Journal para o número definitivo.

O líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), afirmou há pouco, em entrevista à rádio CBN, que há um esforço para realmente votar a reforma da Previdência em segundo turno nesta terça-feira e que, após isso, haverá espaço da agenda da casa para outros temas importantes. Ao ser questionado sobre o clima na Câmara, caso Estados e municípios sejam reincluídos no texto da reforma no Senado, o líder não cravou uma posição, ao dizer que isso dependerá da "mobilização dos líderes".

Vitor Hugo pontuou, no entanto, que a inclusão dos entes da federação no texto significaria uma economia adicional de cerca de R$ 350 bilhões, o que seria positivo para as contas do País como um todos.

Segundo o líder do governo, houve um esforço, na semana passada, para mobilizar número suficiente de deputados, de 51, para abrir mais uma sessão no Plenário hoje e ou amanhã. Assim, os deputados querem cumprem o interstício para a votação entre primeiro e segundo turnos, de cinco sessões. 

O Banco ABC Brasil anuncia lucro líquido recorrente de R$ 125,2 milhões no segundo trimestre, alta de 12,2% sobre o mesmo período do ano passado. O resultado no critério contábil soma R$ 132,7 milhões, 18,9% maior.

Na esteira do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na semana passada, os economistas do mercado financeiro alteraram suas projeções para a Selic (a taxa básica de juros) no fim de 2019. O Relatório de Mercado Focus trouxe hoje que a mediana das previsões para a Selic em 2019 passou de 5,50% para 5,25% ao ano. Há um mês, estava em 5,50%. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 permaneceu em 5,50% ao ano, ante 6,00% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção seguiu em 7,00%, ante 7,50% de um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,00%, ante 7,50% de quatro semanas antes.

Na semana passada, o Copom anunciou o corte da Selic de 6,50% para 6,00% ao ano. Foi a primeira queda após 16 encontros em que o colegiado manteve a taxa básica estável. Ao justificar a decisão, o BC reconheceu uma evolução no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação. Além disso, sinalizou que devem ocorrer cortes adicionais da taxa. As projeções mais recentes do BC, considerando o cenário de mercado, apontam para inflação de 3,6% em 2019 e 3,9% em 2020 - dentro das metas estabelecidas para esses anos.

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 foi de 5,50% para 5,13% ao ano, ante 5,50% de um mês antes. No caso de 2020, passou de 5,63% para 5,38%, ante 6,00% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 foi de 7,25% para 7,00%. Há um mês, estava em 7,25%. Para 2022, a projeção do Top 5 permaneceu em 7,00% ao ano, igual a um mês antes.

O gráfico diário mostra uma formação denominada harami de fundo, a mulher grávida, em japonês.

A leitura foir reforçada pela alta vista na sexta-feira, com o fechamento cravado nas médias e levemente acima de 102.620.

Isso até a China retaliar os EUA, derrubar o minério, petróleo e bolsas mundo afora.

Mostramos resiliência semana passada, resistindo frente à fortes baixas no exterior.

Será que repetiremos essas manobras?

Seria o inicio de uma tendência de baixa no exterior?

Ou, uma vez amassadas pela venda após correções no preço, rápidas e agudas, as bolsas externas teriam boa recuperação e puxariam o mercado doméstico de forma relevante?

Apertem os cintos, a semana promete!


Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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