quinta-feira, 1 de agosto de 2019

CENÁRIO 01/08/2019

As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em queda nesta quinta-feira, à exceção da Bolsa de Tóquio, após a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de ontem confirmar a expectativa de corte de juros, mas sem garantir uma flexibilização adicional nos próximos meses.

Embora o Fed tenha confirmado as expectativas do mercado ao cortar juros em 25 pontos-base ontem, "a sinalização foi aparentemente mais 'hawkish' do que o mercado estava antecipando", destaca o economista-chefe do JPMorgan, Michael Feroli. Durante a coletiva da imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, não garantiu estímulos adicionais e chamou a medida de flexibilização um ajuste de meio de ciclo, o que pressionou as bolsas em Wall Street e se seguiu no pregão asiático.

Em solo chinês, o Xangai Composto recuou 0,81%, para 2.908,77 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto terminou o pregão em queda de 0,52%, com 1.563,06 pontos. Já na Bolsa de Seul, o índice Kospi caiu 0,36%, a 2.017,34 pontos. O índice Hang Seng, de Hong Kong, cedeu 0,76%, para 27.565,70 pontos, enquanto o australiano S&P/ASX 200 recuou 0,35%, para 6.788,90 pontos.

Ontem à noite, contudo, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da China subiu para 49,9 pontos em julho, segundo a IHS Markit em parceria com a Caixin Media, acima do esperado por analistas. Mesmo com o avanço, no entanto, o PMI chinês continua a indicar contração da indústria.

Na Bolsa de Tóquio, por outro lado, o índice Nikkei subiu 0,09%, para 21.540,99 pontos.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da Alemanha recuou de 45,0 pontos em junho para 43,2 pontos na leitura final de julho, informou hoje a IHS Markit. O resultado ficou um pouco acima da expectativa de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que esperavam queda um pouco maior, a 43,1, como havia indicado a leitura preliminar do indicador.

O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu parte do mercado ao reduziu a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 6,00%, novo piso histórico da taxa básica. De um total de 55 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 51 esperavam por um corte, sendo que 26 aguardavam por redução de 0,25 ponto porcentual e 25 instituições projetavam corte de 0,50 ponto porcentual. Outras quatro instituições projetavam estabilidade para a Selic na decisão de ontem.

O Banco Central avaliou que a evolução do cenário básico e, em especial, do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário. Ao mesmo tempo, afirmou que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo, indicando um novo corte na próxima reunião, em setembro.

O mercado de juros deve ter forte reação ao Copom já na abertura dos negócios desta quinta-feira, com as taxas curtas e intermediárias em queda expressiva. Já o câmbio, em teoria, tende a ficar mais pressionado, considerando que o corte aplicado pelo Copom no juro básico foi mais forte do que aquele decidido pelo Federal Reserve nos juros dos fed funds, também ontem, de 25 pontos-base. Com isso, o diferencial de taxas interna e externa se estreitou, o que reduz a atratividade dos ativos locais.

Apontado como o “doleiro dos doleiros” pela força-tarefa da Operação Lava Jato, o operador financeiro Dario Messer foi preso na tarde de ontem pela Polícia Federal em um apartamento nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Ele estava foragido havia mais de um ano e, segundo os agentes, apresentava uma aparência diferente, com barba e cabelo tingidos de ruivo, e exibiu uma identidade falsa.

Messer é acusado de operar um “grandioso esquema” de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no exterior descoberto pela Operação Câmbio, Desligo, braço da Lava Jato no Rio, deflagrada em maio de 2018. Na ocasião, 33 doleiros foram presos a partir da colaboração dos delatores Vinícius Claret, o Juca Bala, e Cláudio Barboza, o Tony, sócios de Messer.

Segundo a dupla de doleiros, Messer controlou até 2013 um banco em Antígua e Barbuda, no Caribe, com 429 clientes. Entre eles estavam empresários e doleiros, como os irmãos Marcelo e Renato Chebar, operadores do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), e os parceiros Juca e Tony, principais doleiros do esquema de corrupção montado pela Odebrecht.

Messer herdou do pai, Mordko Messer, uma influente rede de casas de câmbio do Rio e comandou um amplo esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro que teria movimentado US$ 1,6 bilhão em mais de 50 países. Segundo Tony, o “doleiro dos doleiros” ficava com 60% dos lucros obtidos com as operações e teria recebido US$ 24 milhões entre 2009 e 2017.

A Duratex, fabricante de louças e metais sanitários, cerâmicos e painéis de madeira, apresentou lucro líquido recorrente de R$ 69,4 milhões no segundo trimestre de 2019.

O montante é 152,7% maior do que no mesmo período do ano anterior, conforme balanço publicado há pouco. O lucro foi impulsionado pelo efeito da variação do valor do ativo biológico, que gerou ganho de cerca de R$ 40 milhões.

O dado recorrente exclui as despesas com o encerramento das atividades na fábrica de São Leopoldo (RS), o ganho de crédito fiscal referente a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, e os recursos recebidos com a venda de florestas para a Suzano, entre outros itens.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado e recorrente foi de R$ 213,3 milhões, o equivalente a uma redução de 3,1% no período.

A Vale apresentou um prejuízo líquido de US$ 133 milhões no segundo trimestre do ano, ante uma projeção de lucro do mercado. Sem considerarem provisões adicionais por conta da tragédia em Brumadinho, que ocorreu em janeiro, a média projetada por instituições financeiras apontava para um ganho de US$ 2,508 bilhões, conforme estimativas coletadas no BB Banco de Investimento, BTG Pactual, Bradesco BBI, Itaú BBA, Safra e XP Investimentos.

Já a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 3,098 bilhões veio 33% menor do que a projeção de US$ 4,663 bilhões.

A receita líquida da Vale, por fim, que alcançou US$ 9,186 bilhões, ficou em linha com as estimativas (US$ 9,458 bilhões).

O gráfico diário do IBOV mostra um pregão de maior amplitude e forte volume.

Vale destacar que, a mínima foi marcada fora da banda de bollinger inferior, com imediata reação e fechamento bem acima do piso do dia.

A sessão dessa quinta-feira será essencial para um sinal mais maduro e com menos ruído.

Bons negócios!


Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br



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