segunda-feira, 22 de julho de 2019

CENÁRIO 22/07/19

Os principais indicadores acionários asiáticos encerraram a sessão desta segunda-feira em baixa diante de um novo dia marcado pela expectativa quanto a reuniões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), nesta semana, e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na próxima. Enquanto isso, os agentes observaram o primeiro dia de negócios da Shanghai Stock Exchange’s STAR Market, ou apenas STAR, destinada a empresas de alta tecnologia.

Inspirada na Nasdaq, a STAR será voltada para empresas de tecnologia que desempenham um papel importante nos planos de desenvolvimento do governo chinês. A tendência é de volatilidade nestes primeiros dias, enquanto os negócios são digeridos pelos investidores. "Inicialmente, pode haver desequilíbrios no trading entre oferta e demanda e o mercado deve olhar para as flutuações de forma razoável", disse o vice-gerente geral da Bolsa de Valores de Xangai, Liu Ti. A STAR começa com 25 empresas listas, das quais um fabricante estatal de controles ferroviários responde pela maior parte de valor de mercado.

Ainda em solo chinês, o índice Xangai Composto encerrou o pregão em queda de 1,27%, com 2.886,97 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzen Composto recuou 1,8%, para 1.532,43 pontos. Na Bolsa de Seul, o índice Kospi cedeu 0,05%, para 2.093,34 pontos e, em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em baixa de 1,37%, para 28.371,26 pontos.

No Japão, os investidores digeriram os resultados da eleição legislativa do país, que resultou em um fortalecimento da coalizão governista do primeiro-ministro Shinzo Abe. "Com a maioria assegurada nas duas casas do Parlamento, o poder político de Abe deve permanecer forte até o final de seu mandato, em setembro de 2021", disseram os economistas Takuji Aida e Arata Oto, do Société Générale. Para eles, a coalizão governista poderá continuar a implementar a "Abenomics" e, assim, o governo deve avançar com o aumento de impostos sobre o consumo em outubro, "mas provavelmente mais por motivos políticos do que econômicos". Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,23%, para 21.416,79 pontos.

No noticiário macroeconômico, em um dia esvaziado de indicadores, os agentes voltaram a se atentar à política do Fed à medida que crescem as chances de uma redução de 25 pontos-base nos juros na próxima semana, o que seria um corte preventivo das taxas pelo banco central americano. A reunião do BCE também é aguardada pelos investidores, que esperam pelo anúncio de novas medidas de estímulo pela autoridade monetária da zona do euro.

No Brasil, os mercados esperam a divulgação do IPCA-15 de julho, os dados de arrecadação e de emprego formal em junho.

Em Brasília, com o fluxo de notícias mais fraco sobre a reforma da Previdência em meio ao recesso no Congresso, as atenções estarão sobre as discussão da reforma Tributária e medidas de estímulo, como a liberação parcial de recursos de contas ativas e inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS). O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesse domingo que poderá rever, no futuro, o porcentual de 40% da multa do FGTS paga ao empregado demitido sem justa causa, mas que não pretende extingui-la. 

Para alterar o valor da multa, é preciso encaminhar ao Congresso uma proposta de lei complementar para regulamentar o tema, já que a multa é uma cláusula pétrea da Constituição. Com viagem prevista para esta terça-feira para Vitória da Conquista, na Bahia, Bolsonaro disse que não teme ataques e protestos, como reação aos comentários feitos por ele na sexta-feira passada em relação a governadores do Nordeste. Em conversa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse para "não dar nada" ao governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB. Ontem, Bolsonaro afirmou não temer visitar a região e que o Nordeste é sua terra e que ele pode andar por qualquer lugar do território brasileiro. 

Também um "novo corte" no Orçamento de R$ 2,5 bilhões deve ser anunciado e as lideranças dos caminhoneiros voltam a se reunir nesta semana com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para tratar da nova resolução sobre a política de preços mínimos do frete rodoviário. Os caminhoneiros reclamam que as empresas estão querendo pagar só o custo sem qualquer remuneração para o caminhoneiro. A categoria não descarta a possibilidade de paralisação, mas o ministério disse que buscará um consenso. 

No exterior, em meio a especulações de que uma nova rodada de negociações sino-americanas poderia ocorrer no fim deste mês, o governo chinês estaria considerando implementar um plano para aumentar as compras de soja americana, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões. Além disso, há um compasso de espera pelo Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre dos Estados Unidos e os resultados trimestrais de Santander, Boeing, Amazon e Facebook.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da sondagem de julho teve um recuo de 1,7 ponto em relação ao resultado fechado de junho, para 94,0 pontos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Houve piora tanto na percepção dos empresários em relação à situação atual quanto nas perspectivas futuras dos negócios. O Índice da Situação Atual (ISA) recuou 2,5 pontos, para 94,1 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE) encolheu 0,9 ponto, para 93,9 pontos, o menor patamar desde julho de 2017.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria indicou uma alta de 0,6 ponto porcentual em relação ao patamar de junho, passando de 75,0% para 75,6% em julho.

A prévia dos resultados da Sondagem da Indústria abrange a consulta a 784 empresas entre os dias 1 e 18 de julho. O resultado final da pesquisa será divulgado no próximo dia 29.

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica de juros) no fim de 2019, mas alteraram a perspectiva para o encerramento de 2020.

O Relatório de Mercado Focus trouxe hoje que a mediana das previsões para a Selic em 2019 seguiu em 5,50% ao ano. Há um mês, estava em 5,75%. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 caiu de 6,00% para 5,75% ao ano, ante 6,50% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção seguiu em 7,00%, ante 7,50% de um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 foi de 7,50% para 7,00%, ante 7,50% de quatro semanas antes.

No dia 19 de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a manutenção da Selic em 6,50% ao ano. Ao mesmo tempo, vinculou eventuais novos cortes da taxa ao andamento da reforma da Previdência no Congresso. No comunicado sobre a decisão, o BC também disse que a recuperação econômica parou e avaliou que o cenário externo está mais favorável.

Já as projeções mais recentes do BC, considerando o cenário de mercado, apontam para inflação de 3,6% em 2019, 3,9% em 2020 e 3,9% em 2021. Elas constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de junho.

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 seguiu em 5,50% ao ano, igual a um mês antes. No caso de 2020, passou de 6,25% para 5,50%, ante 6,25% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 seguiu em 7,50%. Há um mês, estava no mesmo nível. Para 2022, a projeção do Top 5 permaneceu em 7,00% ao ano, igual a um mês antes.

O IBOV inicia a semana parecendo um prisioneiro empurrado pelo pirata na prancha, quase caindo no mar.

Fechou no limite da LTA e sobre um suporte marcado recentemente (103.360).

Naturalmente, atrairá a compra no início da sessão, que verá a região como oportunidade, lembrando que o IBOV é tão somente uma média.

O desafio será manter os ursos domados durante essa segunda-feira.

Bons negócios!


Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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