quarta-feira, 17 de julho de 2019

CENÁRIO 17/07/2019

Os mercados acionários asiáticos encerraram o pregão desta quarta-feira em baixa, diante de novas preocupações relativas ao comércio entre Estados Unidos e China após comentários do presidente americano, Donald Trump. O líder dos EUA indicou que um acordo com os chineses está "longe de ser alcançado", o que gerou preocupações entre os investidores, que optaram por vender ações.

"A ameaça renovada do presidente Trump de mais tarifas sobre produtos chineses fez com que os investidores se preparassem para um dia perdas nas bolsas asiáticas, acompanhando o sentimento negativo visto em Wall Street", apontaram os economistas Nicholas Mapa e Prakash Sakpal, do ING. De acordo com eles, os comentários de Trump ofuscaram as vendas no varejo e a produção industrial dos EUA, que "continuaram a indicar uma economia mais firme mesmo diante da guerra comercial".

Na China, o índice Xangai Composto fechou em queda de 0,20%, a 2.931,69 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzen Composto subiu 0,2%, para 1.574,35 pontos. O economista Elliot Clarke, do Westpac, sugere, em nota a clientes, que os dados de crédito chineses mais recentes destacaram que é preciso maior flexibilização monetária na segunda maior economia do mundo, enquanto o investimento privado permanece sendo uma preocupação significativa. "Em parte, isso se deve às circunstâncias em que a China está, com a demanda corporativa por crédito restringida pela incerteza persistente sobre as relações comerciais com os EUA", disse.

Em solo japonês, perdas nos setores de eletrônicos e de varejo fizeram com que o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, recuasse 0,31%, para 21.469,18 pontos. Esses dois segmentos compensaram os ganhos em papéis ligados ao setor financeiro, que se recuperou modestamente à medida que diminuiu a especulação quanto a um afrouxamento agressivo pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) diante de indicadores mais fortes do que o esperado nos EUA.

As construções de moradias inicias nos Estados Unidos recuaram 0,9% na passagem de maio para junho, para a taxa anual sazonalmente ajusta de 1,253 milhões, informou o Departamento do Comércio do país nesta quarta-feira. O resultado negativo foi ligeiramente mais acentuado do que o projetado por analistas consultados pelo Wall Street Journal, que esperavam queda de 0,7% nas construções.

As permissões para novas obras, que sinalizam o volume das construções no país, cederam 6,1% em junho na mesma base comparativa, para um ritmo anual de 1,220 milhão. Essa foi a pior queda desde março de 2016 e marcou um recuo muito mais acentuado do que o projetado por analistas, de apenas 0,3%.

Os números das construções de casas nos EUA tendem a ser voláteis a cada mês e são sujeitos a revisão. A Queda na construção de moradias iniciadas em maio foi revisada de queda de 0,9% para recuo de 0,4% na comparação com abril.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o texto de reforma tributária que será apresentado pelo governo federal proporá a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para unificar tributos federais. Segundo Guedes, Estados e municípios poderão adotar o sistema, caso lhes convenha.

Guedes destacou que a intenção do governo com a reforma é desonerar a folha de pagamentos, uma vez que os encargos atuais seriam responsáveis por criar "milhões de desempregados no País". Ele comentou ainda que a equipe econômica estuda mudanças no Imposto de Renda e a criação de um tributo sobre transações financeiras.

O Ministério da Economia estuda liberar aos trabalhadores uma parcela dos recursos das contas ativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A medida, inédita, atingiria contas de contratos de trabalho que estão em vigor. Uma das ideias em estudo é autorizar os saques na seguinte proporção: quem tem até R$ 5 mil no fundo poderia sacar 35% do saldo; trabalhadores com até R$ 10 mil no FGTS teriam autorização para retirada de 30%.

Ainda se discute criar uma faixa intermediária, entre aqueles que têm saldo de R$ 10 mil e os que acumularam até R$ 50 mil, mas o porcentual de saque ainda não foi definido. Já para aqueles com saldo superior a R$ 50 mil, o limite para retirada seria de 10%.

No fim de maio, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a permissão para o saque das contas ativas seria feita depois da aprovação da reforma da Previdência, junto com a liberação do PIS/Pasep. Mas há quem defenda a liberação antes do fim da tramitação da reforma - que ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara dos Deputados, antes de seguir para o Senado.

O calendário de liberação seria feito pela data do aniversário dos trabalhadores. Aqueles que já fizeram aniversário neste ano já teriam direito ao benefício. A ideia é que a injeção de recursos ajude na retomada da economia, via consumo.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,10% na segunda quadrissemana de julho, desacelerando em relação à alta de 0,17% verificada na primeira quadrissemana deste mês, segundo dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Na segunda leitura de julho, cinco dos sete componentes do IPC-Fipe subiram com mais força ou registraram deflação menor. Foi o caso de Alimentação (de -0,28% na primeira quadrissemana para -0,24% na segunda quadrissemana), de Transportes (de -0,31% para -0,30%), de Saúde (de 0,24% para 0,36%), de Vestuário (de -0,15% para -0,01%) e de Educação (de 0,02% para 0,15%).

Por outro lado, os demais itens avançaram de forma mais contida: Habitação (de 0,70% para 0,55%) e Despesas Pessoais (de 0,46% para 0,03%).

O gráfico diário do IBOV mostra um teste da retração de 50% de Fibonacci na sessão de ontem (16).

Houve a formação de nova sombra inferior, assim como no pregão de segunda-feira (15).

Temos três barreiras, cujos rompimentos mostrariam alguma força dos touros no curtíssimo prazo: média móvel de 5 períodos, retração de 61,8% de Fibonacci na região de 104.135 e a máxima de ontem (16) aos 104.440.

Caso tenhamos a perda da mínima de ontem em 103.360, a região compreendida entre 102.585 e a linha de tendência de alta, riscada em azul, seria alvo natural.

Bons negócios!



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