segunda-feira, 15 de julho de 2019

Cenário 15/07/2019

Os mercados acionários asiáticos encerraram o pregão desta segunda-feira sem sinal único, em um dia de ganhos para as bolsas chinesas, que se viram apoiadas pela indústria e pelo varejo da segunda maior economia do mundo. A indústria da China produziu mais do que o esperado por analistas em junho, ao mesmo tempo em que o comércio varejista do gigante asiático vendeu acima do previsto. Os dados deixaram em segundo plano o Produto Interno Bruto (PIB) da China do segundo trimestre, cujo crescimento foi o mais lento em 27 meses.

O índice Xangai Composto fechou em alta de 0,40%, aos 2.942,19 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzen Composto subiu 1,00%, para 1.644,32 pontos. De acordo com os dados oficiais, o PIB chinês cresceu 6,2% no segundo trimestre ante o mesmo período do ano anterior, enquanto analistas esperavam expansão ligeiramente mais forte, de 6,3%. Os números foram os mais fracos desde o primeiro trimestre de 2009, quando a economia chinesa foi afetada pela crise financeira global.

Apesar do crescimento chinês aquém das expectativas, investidores digeriram outros indicadores da segunda maior economia do mundo, que animaram os mercados. Em junho, a indústria chinesa produziu 6,3% mais do que no mesmo mês de 2018, superando a projeção de alta de 5,3%. Já as vendas no varejo subiram 9,8%, acima do avanço de 8,4% estimado. Apesar disso, o economista Raymond Yeung, do ANZ, disse que o banco continua "preocupado" sobre se a expansão do crédito poderá "impulsionar as atividades econômicas reais".

No Japão, os mercados ficaram fechados devido a um feriado local. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,29%, para 28.554,88 pontos. Destoando dos demais, o australiano S&P/ASX 200 encerrou o pregão em queda de 0,65%, aos 6.653,00 pontos, na Bolsa de Sydney. Já o índice Kospi, da Bolsa de Seul, recuou 0,20%, para 2.082,48 pontos, ainda reagindo às tensões comerciais entre Coreia do Sul e Japão.

No Brasil, a comissão especial da Câmara aprovou a redação final da reforma da Previdência apenas no início da madrugada de sábado, por 35 votos a favor e 12 contra. Agora, o texto será votado em um segundo turno também pelo plenário, com início no dia 6 de agosto, após o recesso parlamentar que começa no próximo dia 18. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que quer entregar a reforma para o Senado até o dia 9 de agosto. 

Entre os senadores, o Placar da Previdência, elaborado pelo Estado, aponta 42 votos "sim" ao texto, antes mesmo de ele chegar ao Senado. O número representa mais do que a metade do total de senadores, mas ainda está sete votos aquém do mínimo necessário para a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição na Casa - 49 senadores. Na sexta-feira passada, a Câmara concluiu a votação do primeiro turno em plenário com a análise dos destaques. No final, foram aprovadas mudanças que suavizaram as regras para homens, mulheres, professores e policiais, mas a economia após as mudanças ainda deve ficar em torno de R$ 900 bilhões em dez anos. 

De acordo com a equipe econômica, a perda na Previdência deve ser compensada pela Medida Provisória 871, convertida na lei 13.846, de combate às fraudes na concessão de benefícios do INSS, que fará com que a União ganhe "pouco mais de R$ 200 bilhões nos próximos dez anos a partir de 2020". "Entre a PEC da Previdência e a MP 871, teremos impacto fiscal de R$ 1,1 trilhão, aproximadamente", afirmou o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho.

O texto aprovado propõe que os homens só poderão se aposentar aos 65 anos e as mulheres, aos 62 anos, com um tempo mínimo de contribuição de 15 anos (homens e mulheres) no setor privado e 25 anos no serviço público. Professores e policiais terão regras próprias, com idades mais baixas para aposentadoria. Os novos critérios valerão para quem ainda não começou a trabalhar. Quem já está trabalhando e contribuindo para o INSS ou o setor público terá regras de transição.

O Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) acumulou alta de 0,94% no ano até maio, informou há pouco o Banco Central. O porcentual diz respeito à série sem ajustes sazonais.

Pela mesma série, o IBC-Br apresenta alta de 1,31% nos 12 meses encerrados em maio.

Considerado uma espécie de "prévia do BC para o PIB", o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses.

A Via Varejo anuncia o novo cargo de Chief Digital Officer (CDO), para o qual contratou Helisson Lemos. Ele veio da Móvile e antes foi presidente do Mercado Livre. A posição lidera as áreas de TI e Recursos Humanos.

Lemos "será responsável por acelerar e consolidar a transformação digital da Companhia, com a incumbência de transformá-la em uma plataforma 100% multicanal", diz o fato relevante. Ele assume em agosto.

A expectativa de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 desacelerou de 0,82% para 0,81%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado hoje pelo Banco Central. Há quatro semanas, a estimativa de crescimento era de 0,93%.

Para 2020, o mercado financeiro alterou a previsão de crescimento do PIB de 2,20% para 2,10%. Quatro semanas atrás, estava em 2,20%.

No fim de junho, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 2,0% para elevação de 0,8%.

No Focus de hoje, a projeção para a alta da produção industrial de 2019 foi de 0,70% para 0,65%. Há um mês, estava em 0,65%. No caso de 2020, a estimativa de crescimento da produção industrial seguiu em 3,00%, ante 2,80% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2019 passou de 56,10% para 56,05%. Há um mês, estava em 56,10%. Para 2020, a expectativa permaneceu em 58,30%, ante 58,43% de um mês atrás.


O gráfico diário do IBOV mostra um harami de topo (mulher grávida em japonês), seguido por uma marobuzu com leve sombra superior, o que não invalida o padrão.


Tracei retrações de Fibonacci entre o fundo marcado dia 02/07 e o topo recente.

O benchmark fechou logo abaixo da primeira retração e da média móvel de 5 períodos.

Acompanhando os bons ventos internacionais e mercado futuro, a abertura será positiva, com algum fôlego no período da manhã, na minha leitura.

O desafio será sustentar os preços ao longo do dia, porque cachorro picado por cobra tem medo de linguiça.

Bons negócios e uma ótima semana.

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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