quarta-feira, 3 de julho de 2019

Cenário 03/07/2019

As bolsas asiáticas fecharam em baixa generalizada nesta quarta-feira, à medida que preocupações sobre a perspectiva do comércio global e um novo indicador chinês fraco pesaram no sentimento do investidor.

Entre os mercados chineses, o índice Xangai Composto caiu 0,94% hoje, a 3.015,26 pontos, enquanto o menos líquido Shenzhen Composto recuou 1,18%, a 1.600,02 pontos.

Pesquisa da IHS Markit mostrou que o setor de serviços da China se expandiu em junho no ritmo mais fraco em quatro meses, apesar de múltiplos esforços de Pequim para estimular a segunda maior economia do mundo.

Embora a China e Estados Unidos tenham concordado em suspender a adoção de novas tarifas a produtos um do outro no último fim de semana, a postura protecionista de Washington continua preocupando os agentes dos mercados.

Na segunda-feira (01), os EUA ameaçaram impor tarifas a US$ 4 bilhões em produtos da União Europeia, como parte de uma disputa que se arrasta há 15 anos na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre subsídios concedidos ao fabricante americano de aviões Boeing e a seu concorrente europeu, a Airbus.

Há relatos também de que os EUA pretendem tarifar aço importado do Vietnã originalmente produzido na Coreia do Sul e em Taiwan, sob o argumento que de que a prática burla encargos americanos contra dumping e subsídios.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei caiu 0,53% em Tóquio nesta quarta, a 21.638,16 pontos, pressionado por ações dos setores de eletrônicos e petrolífero; o Hang Seng teve baixa marginal de 0,07% em Hong Kong, a 28.855,14 pontos; o sul-coreano Kospi recuou 1,23% em Seul, a 2.096,02 pontos, acumulando perdas pelo quarto pregão consecutivo após o governo da Coreia do Sul reduzir projeções econômicas para este ano; e o Taiex apresentou queda de 1,12% em Taiwan, a 10.743,77 pontos.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores de serviços e industrial, subiu de 51,8 em maio para 52,2 em junho, atingindo o maior nível desde novembro do ano passado, segundo pesquisa final divulgada hoje pela IHS Markit.

O resultado ficou acima da leitura prévia de junho e da previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 52,1 em ambos os casos.

Apenas o PMI de serviços da zona do euro aumentou de 52,9 em maio para 53,6 em junho. A estimativa preliminar também era menor, de 53,4.

A presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em Cleveland, Loretta Mester, disse hoje que o cenário básico é que a inflação dos EUA se mova gradualmente para a meta de 2% do Fed, mas afirmou que espera ver mais dados sobre expectativas de inflação antes de chegar a uma conclusão sobre o futuro das taxas de juros.

Em entrevista à Bloomberg, Mester afirmou que os juros estão atualmente em torno do chamado "nível neutro", em que não pressionam nem estimulam a economia.

Mester, que não vota nas reuniões de política monetária do Fed este ano, comentou também que a economia dos EUA poderá desacelerar mais do que o BC americano espera.

Ao ser perguntada sobre os efeitos da postura comercial de Washington, Mester respondeu que o Fed não está numa posição de dar conselhos sobre políticas ao presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo ela, a tarefa do Fed é acompanhar como essas iniciativas podem afetar o crescimento de forma a calibrar sua política monetária.

Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,15% em junho, revertendo a baixa marginal de 0,02% de maio e ganhando força em relação ao aumento de 0,12% verificado na terceira quadrissemana do mês passado, segundo dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O resultado de junho ficou dentro das estimativas de 11 instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variaram de altas de 0,11% a 0,21%, mas abaixo da mediana, de +0,16%.

No primeiro semestre de 2019, o IPC-Fipe acumulou inflação de 2,07%. No período de 12 meses até junho, o índice subiu 3,88%.

A aceleração da inflação em junho se deveu a apenas dois dos sete componentes do IPC-Fipe. No último mês, os custos de Habitação tiveram alta de 0,69%, bem maior do que o avanço de 0,07% de maio. Já os preços de Alimentação recuaram em ritmo mais contido em junho, de 0,51%, depois de caírem 1,05% no mês anterior.

Por outro lado, os demais itens avançaram de forma mais suave ou migraram para deflação no mês passado: Transportes (de 0,55% em maio para -0,29% em junho), Despesas Pessoais (de 0,84% para 0,82%), Saúde (de 0,25% para 0,18%), Vestuário (de 0,13% para -0,21%) e Educação (de 0,04% para 0,02%).

O investidor deve ficar à espera de uma definição sobre o início da votação do relatório da reforma da Previdência na Comissão Especial e ainda acompanhará indicadores dos Estados Unidos nesta quarta-feira. 

A liquidez nos mercados pode se concentrar até o começo da tarde, porque as bolsas e o mercado de Treasuries em Nova York fecham mais cedo, devido ao feriado do Dia da Independência do país amanhã (4). 

Na Câmara, ontem, o novo texto da reforma da Previdência lido pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP) veio com uma surpresa. A economia esperada com o projeto em dez anos subiu de R$ 913,5 bilhões para R$ 1,071 trilhão, após os ajustes complementares feitos ao texto, o que tende a agradar aos agentes financeiros. 

O relator incluiu na conta uma receita adicional de R$ 83,9 bilhões com o fim da isenção previdenciária das exportações agrícolas, que contraria a bancada ruralista. Já os Estados e municípios foram mantidos fora do texto, mas podem ser incluídos em plenário. Foi retomada a possibilidade de cobrança de contribuições extraordinárias dos servidores públicos, que havia sido suprimida na primeira versão do relatório apresentada no dia 13 de junho, e aumentou o rol de categorias de servidores públicos nos Estados e municípios que poderão ter idades mínimas e tempos de contribuição diferenciados para se aposentarem. 

Lideranças da Câmara reclamaram de "pontas soltas" no texto. Segundo os parlamentares, o relator não acatou alguns pedidos e, por isso, querem agora mais tempo para avaliar a nova versão. A insatisfação poderá atrasar a votação na Comissão e deixar essa conclusão apenas para semana que vem. Se isso ocorrer, irá atrasar o calendário previsto pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que queria concluir os trabalhos na Comissão até esta sexta-feira para garantir a votação no plenário antes do recesso parlamentar, no dia 18. 

O presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), convidou os coordenadores de bancadas no colegiado para uma reunião fechada no fim da manhã de hoje. Desse encontro pode sair uma definição de data para se votar o relatório, entre hoje e amanhã.

O gráfico diário do IBOV tem clara aproximação entre preço e média móvel de 21 períodos.

Ajustei a LTA (linha de tendência de alta) de curto prazo riscada em azul, a qual foi respeitada na véspera.

Ela tem sido a guia dos preços desde maio, sendo decisiva para o curto e médio prazo, na minha leitura.

O fechamento acima de 100.440 é positivo, sendo esse o suporte imediato para os preços.

Bons negócios!

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