quinta-feira, 27 de junho de 2019

Cenário 27/05/2019

As bolsas asiáticas fecharam em alta generalizada nesta quinta-feira, com investidores mais esperançosos de que Estados Unidos e China poderão superar suas desavenças após os desdobramentos mais recentes da disputa comercial entre as duas maiores potências econômicas globais.

Segundo o South China Morning Post, EUA e China fecharam um acordo de trégua provisório para reverter a próxima rodada de tarifas de Washington contra mais US$ 300 bilhões em produtos chineses, abrindo o caminho para que os dois países retomem suas negociações comerciais.

Fontes citadas pelo jornal chinês dizem que ambos os lados preparam comunicados de imprensa separados com detalhes do acordo, antes do encontro previsto para sábado (29) entre os presidentes americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, às margens da cúpula de líderes do G20 em Osaka, no Japão.

Ontem, Trump disse que um acordo comercial com Pequim é possível, mas alertou que está disposto a impor tarifas adicionais aos produtos chineses que ainda não foram punidos se as conversas fracassarem. Antes disso, o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, havia declarado que o pacto estava "90% completo" e poderá ser concluído até o fim do ano.
Entre os mercados chineses, o índice Xangai Composto subiu 0,69% hoje, a 2.996,79 pontos, e o menos líquido Shenzhen Composto teve ganho mais expressivo, de 1,09%, a 1.577,56 pontos. Contribuiu para o apetite por risco o último dado sobre lucro industrial de grandes empresas industriais da China, que teve expansão anual de 1,1% em maio, revertendo parte da queda de 3,7% observada em abril.

Em Tóquio, o Nikkei avançou 1,19%, terminando o pregão na máxima intraday de 21.338,17 pontos, uma vez que o iene se enfraquece frente ao dólar desde ontem com os sinais de avanços no diálogo comercial sino-americano.

O índice de sentimento econômico da zona do euro, que mede a confiança de setores corporativos e dos consumidores, caiu de 105,2 em maio para 103,3 em junho, atingindo o menor nível desde agosto de 2016, segundo dados publicados hoje pela Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam queda menor do indicador, a 104,6.

Apenas a confiança do consumidor recuou de -6,5 em maio para -7,2 neste mês, confirmando estimativa prévia e em linha com a previsão de analistas, enquanto a confiança da indústria diminuiu de -2,9 para -5,6, tocando o menor patamar desde setembro de 2013 e frustrando projeção de declínio mais contido, a -3,2. Já a de serviços diminuiu de +12,1 para +11.

O índice de clima das empresas do bloco europeu, por sua vez, recuou de +0,30 em maio para +0,17 em junho. 

A Câmara dos Deputados cancelou a reunião da Comissão Especial da reforma da Previdência que estava agendada para a manhã desta quinta-feira. A sessão havia sido marcada para a leitura do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), mas não houve consenso entre os líderes sobre o conteúdo do parecer. Ainda não há um acordo sobre a inclusão dos Estados e municípios ou não na reforma.

Apesar do cancelamento, integrantes da Comissão Especial e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda negociam a possibilidade de se convocar uma nova sessão para que o relatório seja lido mais tarde, ainda hoje. Dessa forma, o texto só deverá ser votado na próxima semana.

O debate da comissão especial foi encerrado ontem. A leitura do voto poderia ter acontecido na sequência, mas foi adiada.

A reunião entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e quatro governadores do Nordeste, realizada nesta quarta-feira, terminou sem um acordo sobre a inclusão dos Estados e municípios na reforma, segundo o governador do Piauí, Wellington Dias (PT). Maia queria o comprometimento das bancadas dos entes federativos para colocá-los na proposta e, ao mesmo tempo, garantir votos para a aprovação da medida.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou que a proposta de reforma da Previdência, da forma que está apresentada, alcança apenas a Previdência geral e a União. "Ela não alcança o desequilíbrio dos Estados. Portanto, é preciso pensar em fontes alternativas de receita para que os Estados possam financiar o déficit que tem ocorrido nos últimos anos e está projetado pelo menos até 2025, 2026, com crescimento exponencial, independente de votação de qualquer reforma", afirmou Costa, após reunião de governadores do Norte e Nordeste com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para discutir fontes alternativas de receitas para os Estados.

Outro destaque é que o Banco Central anunciou a redução da alíquota do recolhimento do compulsório sobre recursos a prazo em dois pontos porcentuais, de 33% para 31%. A mudança, conforme o BC, vai implicar na redução do recolhimento da ordem de R$ 16,1 bilhões.
Os compulsórios correspondem à parcela dos depósitos que as instituições financeiras precisam, obrigatoriamente, recolher no Banco Central. Ao reduzir a alíquota aplicada sobre recursos a prazo, o BC está liberando R$ 16,1 bilhões no sistema financeiro. Isso significa mais recursos disponíveis para as operações de crédito dos bancos, por exemplo. Na nota, o BC informou que a mudança entrará em vigor em 1º de julho, com efeitos financeiros a partir de 15 de julho.

Como a votação do relatório da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara deve ficar para a semana que vem, o investidor poderá focar hoje na pesada agenda interna em meio a uma piora nos mercados internacionais nesta manhã. Estarão no radar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio e a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que vai definir a meta de inflação para 2022. 

No caso do RTI, o maior interesse é pela entrevista do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para comentar o relatório, que poderá ajudar nos prognósticos do mercado sobre o início do ciclo e tamanho dos cortes da taxa Selic, além da queda do compulsório bancário sobre recursos a prazo, que deve liberar R$ 16,1 bilhões no sistema financeiro. Quanto ao CMN, a aposta é de que o colegiado reduzirá em mais 0,25 ponto porcentual a meta de inflação em 2022, a partir do objetivo de 3,75% definido para 2021.

O gráfico diário do IBOV mostra uma reação tímida após a barra elefante de anteontem, porém com bom volume e fechamento acima da média móvel de 5 períodos e do forte 100.440, antiga máxima histórica.


A abertura de hoje deverá ser negativa, refletindo o exterior indefinido e o índice futuro em baixa.

Uma possibilidade seria o toque da LTA riscada em azul, seguido de reação, uma vez que a memória recente é compradora.

Caso contrário, a barra elefante poderá assustar os compradores.

Bons negócios!

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