quinta-feira, 13 de junho de 2019

Cenário 13/06/2019

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quinta-feira, em meio a dúvidas sobre a capacidade de Estados Unidos e China de superarem suas desavenças comerciais e protestos em Hong Kong que pressionaram o mercado local pelo segundo dia consecutivo, embora o Hang Seng tenha praticamente zerado as perdas no fim do pregão.

Entre os mercados chineses, o índice Xangai Composto ficou perto da estabilidade, com alta marginal de 0,05%, a 2.910,74 pontos. Já o menos líquido Shenzhen Composto teve modesta valorização de 0,29%, a 1.532,79 pontos.

Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,05%, a 27.294,71 pontos, depois de chegar a registrar queda de 1% no começo dos negócios, em reação a violentos confrontos entre a polícia local e manifestantes contrários a um polêmico projeto de lei que propõe a extradição de supostos criminosos para a China continental. A votação da proposta foi adiada.

O impasse nas negociações comerciais entre EUA e China continua no radar, após o recente endurecimento da retórica pelos governos de ambos os países.

Nos últimos dias, o Secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, alertou que um eventual encontro entre os presidentes americano, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, às margens da reunião de cúpula do G20 marcada para o fim deste mês no Japão, não levará a um acordo comercial definitivo entre as duas maiores economias do mundo.

O diálogo comercial sino-americano foi interrompido semanas atrás, após surgirem divergências sobre determinados pontos do acordo que estava em discussão.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei recuou 0,46% em Tóquio hoje, a 21.032,00 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi cedeu 0,27% em Seul, a 2.103,15 pontos, e o Taiex caiu 0,51% em Taiwan, a 10.561,01 pontos.

Um grupo de segurança marítima do Reino Unido fez um alerta hoje sobre um incidente não especificado no Golfo de Omã e pediu "extrema cautela" em meio a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã e uma visita oficial do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, ao país do Oriente Médio. Em reação à notícia, o petróleo tipo Brent chegou a subir mais de 4% nos negócios da madrugada desta quinta-feira.

A mídia iraniana alega - sem oferecer evidências - que houve uma explosão que tinha como alvo navios petroleiros no Golfo de Omã. Uma empresa privada de inteligência afirmou posteriormente que um petroleiro estava à deriva e em chamas.

A companhia Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO, pela sigla em inglês), que é gerida pela marinha britânica, fez o alerta, mas não deu mais detalhes sobre o incidente.

Às 9h40 (de Brasília), o barril do petróleo tipo Brent para entrega em agosto subia 3,13% na ICE, a US$ 61,85, depois de chegar a ser negociado a US$ 62,64, com alta de mais de 4%. Já o barril do WTÏ para julho avançava 2,76% na Nymex, a US$ 52,55.

Ontem, os futuros de petróleo sofreram tombos de 3,7% a 4%, em reação a um inesperado aumento nos estoques de petróleo bruto dos EUA na semana passada, de cerca de 2 milhões de barris, apontado em pesquisa do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) norte-americano.

O site The Intercept Brasil publicou na noite de quinta-feira uma versão expandida das conversas já publicadas entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, obtidas por meio de subtração do aplicativo de mensagens Telegram ao longo de vários anos da Lava Jato. O site explica que não se trata da íntegra do material até aqui publicado, pois há conversas ainda sob investigação e ainda não foram fornecidos os contextos de trocas de mensagens entre Deltan e outros procuradores, no grupo da força-tarefa.

Nos diálogos expandidos não há muitas revelações além do que já havia sido publicado, só mais detalhamento ora de preocupações com o futuro da operação, ora de estratégias para próximas fases ou contraposição a manifestações do PT ou do STF. Também falam sobre recursos do Ministério Público e combinam pelo menos uma reunião.

A leitura do relatório da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara deve concentrar as atenções do mercado de câmbio nesta quinta-feira de agenda externa mais fraca.

O investidor deve monitorar ainda os desdobramentos do anúncio ontem pela Petrobras de revisão na periodicidade de reajustes nos preços de óleo diesel e gasolina comercializados em suas refinarias. E também deve avaliar o desempenho misto do dólar no exterior. O índice do dólar (DXY) mostra viés de baixa, enquanto a divisa americana opera sem direção única frente moedas de países emergentes exportadores de commodities.

O presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), disse, em entrevista à GloboNews nesta manhã, que espera que a apresentação do parecer do relator sobre a reforma, Samuel Moreira (PSDB-SP), ocorra sem obstrução da oposição. De acordo com ele, ficou difícil para o bloco ficar contra reforma porque "tudo o que eles queriam que fosse retirado, como BPC, aposentadoria rural e idade mínima de 60 anos para professores, caiu". A estimativa de economia fiscal para o governo, caso o projeto seja aprovado do jeito que está hoje, em 10 anos, é de R$ 850 bilhões, disse o relator da proposta, Samuel Moreira. Ramos afirmou ainda que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL) dos bancos poderia, no relatório de Samuel Moreira, ficar em 20% para financiar a Previdência.

Em relação à retirada dos Estados e municípios da reforma, Ramos disse que acredita ser possível a inclusão em Plenário. O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto, alerta que "o problema fiscal dos Estados e municípios é mais sério que o da União". "Eles têm menos instrumentos para fazer frente à crise econômica, que afeta a geração de receitas", avalia. A retirada dos Estados do relatório representa, na visão de Salto, a perda de uma "oportunidade de ouro para endereçar uma mudança estrutural nas contas públicas". Ele lembrou que o déficit atuarial dos Estados está em mais de R$ 5 trilhões e que apenas quatro das 27 unidades federativas têm superávit financeiro.


O gráfico diário do IBOV mostra um candle de baixa relevante, acompanhado de volume e amplitude, distante da média móvel de 21 períodos, sinal de cautela e atenção.


Por outro lado, respeitou a média móvel de 5 períodos como suporte, marcando mínima na região, além de preservar a cabeça do pivot de alta (97.990) e o topo mais recente (98.325).

A abertura será altista, o desafio será manter os preços elevados.

Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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