quarta-feira, 12 de junho de 2019

Cenário 12/06/2019

As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quarta-feira, após os mercados acionários de Nova York interromperem ontem uma sequência recente de valorização em meio à disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a defender o uso de tarifas como parte de sua estratégia comercial e disse que não avançará nas negociações com a China a menos que Pequim ceda em quatro ou cinco "grandes pontos" que ele não especificou. O governo chinês, por sua vez, prometeu uma "dura resposta" se Washington insistir em intensificar as tensões comerciais.

Há expectativas de que Trump e o presidente da China, Xi Jinping, se encontrem às margens da reunião de cúpula de líderes do G20 prevista para o fim deste mês, em Osaka, no Japão. A presença de Xi no evento, porém, ainda não foi confirmada.

Depois de avançarem nos dois pregões anteriores, os mercados chineses migraram para o vermelho hoje. O Xangai Composto caiu 0,56%, a 2.909,38 pontos, e o menos líquido Shenzhen Composto, formado por empresas menores, recuou 0,64%, a 1.528,40 pontos.

A queda também veio na esteira dos últimos dados de inflação da China. A taxa anual de inflação ao consumidor do gigante asiático acelerou de 2,5% em abril para 2,7% em maio, como previam analistas, atingindo o maior nível em 15 meses.

A desvalorização mais acentuada, porém, foi do Hang Seng, que caiu 1,73% em Hong Kong, a 27.308,46 pontos, em meio a violentos protestos locais contra um polêmico projeto de lei que propõe a extradição de supostos criminosos para julgamento na China continental.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei caiu 0,35% em Tóquio, a 21.129,72 pontos, após subir nas três sessões anteriores, e o sul-coreano Kospi recuou 0,14% em Seul, a 2.108,75 pontos, depois de quatro pregões de ganhos, mas o Taiex registrou alta marginal de 0,01% em Taiwan, a 10.615,66 pontos.

O Congresso Nacional aprovou, com apoio unânime de governistas, parlamentares de centro e oposição, uma autorização especial para que o governo possa pagar R$ 248,9 bilhões em benefícios sociais com dinheiro obtido com empréstimos. A prática é vedada pela Constituição e seu descumprimento é crime de responsabilidade, passível de impeachment.

A única exceção é se metade do Legislativo der o aval para que o governo emita títulos e use esses recursos para bancar as despesas. É essa permissão que foi aprovada ontem por 450 deputados e 61 senadores.

Após o fim da sessão, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que o resultado da votação era um "sinal claro" da disposição dos parlamentares em apreciar matérias de interesse do País, não do governo. Ele agradeceu aos congressistas pela "maturidade" ao lidar com o tema.

A votação do crédito suplementar para liberar as despesas travadas pela regra de ouro só foi possível porque o governo selou um acordo que vai liberar R$ 1 bilhão em recursos para o Minha Casa Minha Vida e mais R$ 1 bilhão para o custeio de universidades. Também foram prometidos R$ 550 milhões para a transposição do Rio São Francisco e R$ 330 milhões para bolsas de pesquisas ligadas ao Ministério de Ciência e Tecnologia, áreas estranguladas pelo forte aperto orçamentário. O governo já precisou contingenciar R$ 32 bilhões até agora devido à frustração nas receitas.

Além disso, antes da votação do crédito suplementar para o governo, o Congresso derrubou quatro vetos presidenciais, três deles do presidente Jair Bolsonaro, na sessão conjunta de deputados e senadores nesta terça-feira.

Já sobre a reforma da Previdência, o presidente da comissão especial que trata do tema, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), disse ontem que a discussão do parecer do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) deve se estender por duas ou três sessões. Nesse cronograma, o debate ocuparia praticamente toda a semana que vem, caso o relator mantenha a previsão de leitura do parecer nesta quinta-feira (13).

Ele evitou, porém dizer se a votação na comissão acabará ficando para a primeira semana de julho, diante do feriado de Corpus Christi e das festas juninas - que geralmente mobilizam parlamentares do Nordeste a ficarem nas suas bases.

Após a reunião do Fórum dos Governadores, ontem, o governador do Piauí, Wellington Dias, deve se reunir com a bancada estadual na próxima semana para tratar da reforma da Previdência. Ele calcula que hoje é possível ter até seis votos de uma bancada de dez deputados. Com mudanças solicitadas pelos governadores, como a exclusão de mudanças na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), será possível ampliar o número de apoiadores da reforma em outros três votos, prevê.

Outros governadores do Nordeste, que preferem falar em condição de anonimato, calculam que podem convencer ao menos dois terços de suas bancadas a votar a favor da reforma.

A Gerdau está negociando a aquisição da Siderúrgica latino-americana (Silat), localizada em Caucaia, no Ceará, que pertence ao grupo espanhol Hierros Añón. A companhia é produtora de aços longos, produto usado na construção civil. A empresa tem capacidade instalada anual para fazer 600 mil toneladas de vergalhões e fio-máquina e 60 mil toneladas de malhas eletrosoldadas. Segundo fontes, o valor do negócio é da ordem de US$ 100 milhões.


O gráfico diário do IBOV mostra uma marobuzu, acompanhado por forte volume na sessão de ontem (11), com a mínima marcada na média móvel de 5 períodos e rompimento de 97.610 e 98.325, agora suportes em caso de correção, pela inversão de polaridade da análise técnica.

O sinal é forte, mas não seria uma surpresa haver alguma correção, especialmente no intraday, seja pelo exterior negativo ou volatilidade extra em razão do vencimento do índice futuro nessa quarta-feira.

Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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