sexta-feira, 31 de maio de 2019

Cenário 31/05/2019

As bolsas asiáticas fecharam na maioria em território negativo nesta sexta-feira, em dia de cautela nos mercados globais e menor apetite por risco, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas contra o México para levar o vizinho a reforçar sua postura contra imigrantes ilegais. No próprio continente, um indicador fraco da China influenciou o humor.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem à noite que o seu governo vai impor uma tarifa de 5% sobre todos os bens importados do México, a partir de 10 de junho, até que imigrantes ilegais vindos através do país vizinho para dentro de território americano "parem". "A tarifa vai aumentar gradualmente até que o problema da imigração ilegal esteja remediado, ponto no qual as tarifas serão removidas", disse o republicano em sua conta no Twitter.

Em um comunicado da Casa Branca divulgado após os seus tuítes, Trump explicou que a alíquota cobrada subirá cinco pontos porcentuais por mês se a "crise" de imigração ilegal persistir, podendo chegar a 25% em 1º de outubro. "As tarifas ficarão permanentemente no nível de 25% a não ser e até que o México pare substancialmente o fluxo ilegal de imigrantes entrando por meio do seu território", afirma o republicano.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria da China recuou de 50,1 em abril a 49,4 em meio, na leitura oficial. O resultado abaixo de 50 indica contração da atividade na pesquisa e também ficou abaixo da previsão de 49,9 dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,24%, em 2.898,70 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,01%, a 1.602,03 pontos. Na semana, Xangai subiu 1,6%, mas recuou 5,8% em todo o mês de maio, seu pior desempenho mensal desde outubro. Ainda assim, hoje as ações ligadas a terras-raras voltaram a subir, em meio a relatos desta semana de que Pequim poderia restringir o envio desse componente usado na indústria para os Estados Unidos, como arma na disputa comercial.

Na Bolsa de Tóquio, a valorização do iene com a busca por segurança prejudicou ações de exportadoras do Japão. Com isso, o índice Nikkei fechou em baixa de 1,63%, em 20.601,19 pontos, sua maior queda em dois meses e para o patamar mais baixo desde 8 de fevereiro. Ações ligadas ao petróleo e a automóveis foram penalizadas. O Nikkei caiu 2,4% na semana e 7,45% em todo o mês de maio.

A chance de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) corte a taxa de juros pelo menos uma vez ainda neste ano subiu de 84,2% ontem a 89,9% hoje, segundo as apostas monitoradas pelo CME Group.

A maior parte das apostas de corte (35,4%) hoje acredita que o Fed reduzirá a taxa de juros em 50 pontos-base (pb) até dezembro, para a faixa entre 1,75% e 2,0%. Ontem, por outro lado, a maioria apostava em apenas um corte de 25 pb.

Outro destaque é que BRF e Marfrig anunciaram nesta quinta-feira, em fato relevante, que os conselhos de administração das companhias autorizaram a assinatura de um memorando de entendimentos que estabelece regras e condições para viabilizar uma operação de combinação de negócios entre as duas empresas do setor de alimentos. O acordo prevê que, por 90 dias - prorrogáveis por mais 30 -, nenhuma das partes pode negociar com outras empresas. As companhias deixaram claro que trata-se de conversas e que o acordo pode acabar não acontecendo.

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 2,0 pontos em maio ante abril, para 91,8 pontos, informou há pouco a Fundação Getulio Vargas (FGV). Na métrica de médias móveis trimestrais, o índice diminuiu 1,6 ponto, a terceira queda consecutiva.

O Índice de Confiança Empresarial reúne os dados das sondagens da Indústria, Serviços, Comércio e Construção. O cálculo leva em conta os pesos proporcionais à participação na economia dos setores investigados, com base em informações extraídas das pesquisas estruturais anuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a FGV, o objetivo é que ICE permita uma avaliação mais consistente sobre o ritmo da atividade econômica.

Segundo o fato relevante, a combinação criaria uma empresa líder global e com menos riscos setoriais, por causa do caráter complementar das atuações. A BRF disse ainda que a transação, se completada, "reforçará o compromisso com a redução da alavancagem financeira".

O gráfico diário do IBOV mostra uma forte sequência de quatro candles de alta, com mínimas e máximas acima da sessão anterior sucessivamente, reflexo de força e domínio dos touros no curtíssimo prazo.


Tudo isso após corrigir milimetricamente até as médias móveis, materializando um mastro-bandeira clássico, com redução de volume durante a correção, diga-se de passagem.

Pois bem, o "alvo" da movimentação foi atingido, por assim dizer, sendo esse 97.610.

Hoje teremos uma abertura negativa, reflexo do exterior e do próprio índice futuro.

Teremos uma real medida da resiliência e descolamento dos ativos domésticos perante o stress visto no exterior.

Se mostrar fôlego e "segurar a onda", será um sinal de mudança de fluxo, na minha leitura.

Bons negócios!

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