segunda-feira, 27 de maio de 2019

Cenário 27/05/2019

As bolsas asiáticas fecharam sem sinal único, nesta segunda-feira. O destaque ficou por conta de Xangai, com alta superior a 1%, puxada pelo setor de tecnologia. A Bolsa de Tóquio também subiu, com mais moderação, com investidores também de olho na visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Japão. Ao mesmo tempo, o dia foi de negociações com volumes menores em várias praças asiáticas, antes de um dia de feriados com mercados fechados nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em alta de 1,38%, em 2.892,38 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 2,51%, a 1.603,79 pontos. O setor de tecnologia se destacou, recuperando-se de perdas recentes. Papéis ligados à tecnologia 5G também subiram.

O lucro de grandes empresas industriais da China recuou em abril, depois de registrar um breve aumento em março, evidenciando as dificuldades que companhias do gigante asiático enfrentam em meio à desaceleração da economia e o enfraquecimento da demanda externa.

Na comparação anual, o lucro do setor industrial chinês diminuiu 3,7% em abril, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) do país. Em março, houve acréscimo anual de 13,9% nos lucros.

Entre janeiro e abril, o segmento industrial lucrou 3,4% menos do que no mesmo intervalo do ano passado. No primeiro trimestre, a queda anual havia sido um pouco menor, de 3,3%.

No fim de abril, a relação dívida/patrimônio das empresas do setor era de 56,8%, ante 57% em março.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei seguiu em alta todo o dia, apoiado por ações do setor de eletrônicos. Além disso, Trump realizou declarações em geral amigáveis ao Japão, embora tenha mencionado o desequilíbrio comercial bilateral. O presidente comentou que os EUA não estão prontos para fechar um acordo comercial com a China, mas disse acreditar que isso pode ocorrer "em algum momento no futuro". Entre as ações em foco, Japan Communications subiu 5,43%, mas Mizuho Financial recuou 0,06%.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,08% na terceira quadrissemana de maio, desacelerando em relação ao ganho de 0,15% observado na segunda quadrissemana do mês, segundo dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Na segunda leitura deste mês, perderam força ou ficaram mais firmemente em território negativo os componentes Alimentação (de -0,31% na segunda quadrissemana a -0,68%), Saúde (0,69% a 0,49%) e Educação (de 0,06% a 0,01%).

Por outro lado, quatro grupos ganharam força ou reduziram o ritmo do recuo: Habitação (de recuo de 0,08% na segunda quadrissemana a -0,04%), Transportes (de 0,86% a 0,84%), Despesas Pessoais (de 0,48% a 0,66%) e Vestuário (0,19% a 0,26%).

Feriados hoje em NY e Londres reduzem a liquidez dos pregões domésticos, em semana de PIB/EUA e no Brasil e atividade na China - todos na 5ªF. A agenda inclui, ainda, os dados fiscais de abril e a votação da MP 870 no Senado, amanhã. Já as manifestações podem ter algum impacto de entusiasmo no mercado, após Bolsonaro ter conseguido provar que ainda tem uma forte base popular.

A decisão da Cielo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil, de cortar a distribuição de dividendos e abandonar seu guidance para lucro neste ano pode ser um sinal de que a companhia seguirá o mesmo caminho da concorrente Rede, do Itaú Unibanco, que zerou a taxa da antecipação de recebíveis do crédito à vista. A análise é de Felipe Gaspar Salomao e Jörg Friedemann, do Citi, que já fazem as contas de um eventual impacto negativo para a número um do setor de maquininhas caso vá nesta direção.

Neste contexto, eles calculam que se a Cielo fizer uma ofensiva na antecipação de recebíveis, o capital empregado nesta operação aumentaria, o que justifica o corte nos dividendos, de 70% para 30% do lucro do segundo, terceiro e quarto trimestres deste ano. Isso porque, explicam os analistas do Citi, a companhia precisaria reter caixa adicional para financiar volumes maiores de recebíveis.

Além disso, a receita vinda do serviço de antecipação feito aos lojistas diminuiria, o que justifica, de acordo com Salomao e Friedemann, a decisão da Cielo de abandonar o guidance de lucro de R$ 2,3 bilhões a R$ 2,6 bilhões para este ano.

A expectativa de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 passou de 1,24% para 1,23%, conforme o Relatório de Mercado Focus. Há quatro semanas, a estimativa de crescimento era de 1,70%. Para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do PIB em 2,50%. Quatro semanas atrás, estava nesse mesmo patamar.

A projeção do BC para o crescimento do PIB em 2019 é de 2,0%. Esse porcentual foi atualizado no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março.

No Focus de hoje, a projeção para a alta da produção industrial de 2019 permaneceu em 1,47%. Há um mês, estava em 2,00%. No caso de 2020, a estimativa de crescimento da produção industrial permaneceu em 3,00%, igual ao visto quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2019 passou de 56,10% para 56,20%. Há um mês, estava em 56,30%. Para 2020, a expectativa foi de 58,30% para 58,40%, ante 58,50% de um mês atrás.


O gráfico diário do IBOV mostra uma forte puxada seguida por correção, movimento normal e admissível dentro de uma expectativa de alta para o curto prazo.


Vale destacar que o volume da correção foi menor que nos dois pregões positivos e que ela ocorreu conservando as médias móveis como suportes, sinal de força e maturidade, mesmo com drivers negativos nos pregões que fecharam com perdas.

Assim sendo, é possível pensar no rompimento da cunha de baixa assim como no desenho de um mastro-bandeira ao longo dos próximos dias, por que não?

Bons negócios!

Desejo uma ótima semana e muita prosperidade.
Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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