terça-feira, 14 de maio de 2019

Cenário 14/05/2019

As bolsas asiáticas fecharam na maioria em território negativo, nesta terça-feira. Os mercados continuaram a ser influenciados pela cautela com as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, com Xangai e Tóquio encerrando o dia em baixa. Por outro lado, o tom do presidente americano, Donald Trump, de minimizar a retaliação chinesa e dizer que não decidiu sobre mais tarifas amenizou o quadro.

Depois do fechamento asiático de ontem, a China levou adiante a ameaça e anunciou a imposição de tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos. Na tarde de ontem, Trump minimizou a retaliação e disse que ainda não tomou decisões sobre novas tarifas. O presidente não comentou quando as negociações serão retomadas, mas disse que pretende se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, na reunião do G-20 no Japão, no fim de junho.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em queda de 0,69%, em 2.883,61 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 0,62%, a 1.612,67 pontos. No setor bancário em Xangai, Bank of China caiu 0,81% e China Merchants Bank, 0,73%.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em queda de 0,59%, a 21.067,23 pontos, em sua sétima baixa seguida, a maior sequência negativa desde 2016. Isuzu Motors caiu 16%, após balanço, enquanto Nissan cedeu 2,9%, antes de publicar resultados que saíram depois do fechamento no Japão.

O índice ZEW de expectativas econômicas recuou de 3,1 em abril a -2,1 em maio, informou o próprio instituto nesta terça-feira. Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam alta a 5,0.

O índice para as condições atuais, por outro lado, avançou de 5,5 em abril a 8,2 em maio. A expectativa, nesse caso, era de alta menor, a 7,5.

Presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, John Williams afirmou que, até o momento, os efeitos das tarifas bilaterais de Estados Unidos e China têm sido "relativamente pequenos". Ele alertou, contudo, que esse efeito pode mais adiante se tornar "significativo", por isso os dirigentes do banco central monitoram atentamente a questão.

Williams falou em entrevista à Bloomberg TV, durante visita a Zurique, onde realizou um discurso mais cedo. Com direito a voto nas decisões do Fed, ele comentou que a economia e a política monetária americanas estão em "uma boa posição", no quadro atual, com a atividade econômica reagindo após a desaceleração vista no fim do ano passado.

O presidente do Fed de Nova York falou ainda na entrevista sobre o quadro na inflação nos EUA. Ele lembrou que o mandato do BC prevê que a inflação chegue em 2% e seja mantida nesse patamar. Segundo o dirigente, as tarifas comerciais em vigor devem acrescentar "cerca de 0,2" pontos porcentuais à inflação do país no ano atual.

O presidente americano, Donald Trump, voltou a criticar a China hoje, no Twitter. "Nós podemos fazer um acordo com a China amanhã, antes que as empresas comecem a sair para não perder os negócios nos Estados Unidos, mas na última vez em que estivemos próximos [de um entendimento] eles quiseram renegociar o acordo", escreveu. E acrescentou: "de jeito nenhum!".

O presidente argumentou que "estamos em uma posição muito melhor agora do que qualquer acordo que pudéssemos ter feito", ao defender os impactos das tarifas impostas à China para a economia americana, que teriam sido responsáveis pelo forte crescimento do primeiro trimestre. "Somos agora uma economia muito maior do que a China e aumentamos substancialmente de tamanho desde as grandes eleições de 2016", ressaltou.

Trump acrescentou que, em um ano, as tarifas reconstruíram a indústria siderúrgica dos EUA. "Colocamos uma tarifa de 25% sobre o aço 'descartado' da China e de outros países, e agora temos uma indústria grande e crescente", escreveu na rede social.

A Eletrobras fechou o primeiro trimestre de 2019 com um lucro líquido de R$ 1,347 bilhão, 178% maior que o de R$ 484 milhões no mesmo período do ano anterior. O resultado com operações continuadas foi de R$ 1,570 bilhão, queda de 34% ante o primeiro trimestre de 2018, e com as descontinuadas, ou seja, as distribuidoras, houve um prejuízo líquido de R$ 223 milhões. O prejuízo de R$ 1,176 bilhão da Amazonas D foi compensado parcialmente pelo lucro de R$ 94 milhões da Ceal e o resultado da venda da elétrica de Alagoas de R$ 859 milhões.

A Oi, em recuperação judicial, fechou o primeiro trimestre de 2019 com um lucro líquido consolidado de R$ 766 milhões no primeiro trimestre de 2019, conforme seu balanço. O resultado representa uma queda de 97,5% em comparação com o mesmo período de 2018, quando a companhia teve um lucro de R$ 30,526 bilhões impulsionado pelo enxugamento da dívida dentro do plano de recuperação judicial aprovado pelos credores.

O lucro líquido atribuído aos acionistas controladores atingiu R$ 568 milhões, recuo de 98,1% na comparação entre os mesmos trimestres.

A vitória eleitoral do presidente admirador de armas do Brasil foi imortalizada em uma arma criada em sua homenagem. Feito pelo fabricante brasileiro Forjas Taurus, o revólver cromado - apropriadamente calibre .38 - está gravado com o rosto de Jair Bolsonaro e inscrito com as palavras "Bolsonaro - 38º Presidente". A descrição consta de uma das reportagens de um caderno especial sobre o Brasil, com seis páginas, publicado hoje pelo jornal britânico Financial Times (Leia mais nas notas das 4h44, 5h25, 5h39, 5h54 e 6h51).

De acordo com a publicação, a homenagem parece adequada a Bolsonaro, um capitão reformado do Exército, que conquistou a presidência com a plataforma de "lei e ordem" no ano passado. Uma de suas promessas de campanha era ampliar o acesso a armas de fogo para brasileiros. Há 80 anos a Taurus fabrica pistolas e revólveres no Brasil, detendo quase o monopólio do setor. Negocia na Bolsa e vem colhendo os benefícios das promessas eleitorais.

Os mercados já estavam fechados quando os EUA formalizaram a proposta de impor tarifas de 25% sobre mais US$ 300 bilhões em produtos chineses, para decisão no final de junho, que coincidirá com o encontro de Trump e Xi Jinping, no G-20. Também aqui, o que pode ser o "tsunami" de Bolsonaro, quebra dos sigilos fiscal e bancário de seu filho Flávio, só pegou os futuros abertos, levando a bolsa às mínimas e o dólar às máximas.

Temos muitos drivers e balanços que terão forte impacto nos preços, sejam eles nacionais ou internacionais.

Vejo semelhança entre a movimentação teoricamente exagerada de ontem e a que tivemos no dia 27/03.

Naquele momento, logo na sessão seguinte o mercado corrigiu a sangria e negou a barra, o que levou à formação de um fundo importante e forte alta a seguir.

Hoje será o dia "D", o famoso dia depois de amanhã.

Um sinal de fundo seria fortalecido com o fechamento sobre 92.340 e especialmente acima de 92.750, praticamente selando um piso de curto prazo.

Bons negócios!

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