segunda-feira, 13 de maio de 2019

Cenário 13/05/2019

As bolsas asiáticas registraram sessão negativa nesta segunda-feira, novamente influenciadas pelas dificuldades nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China. A aversão ao risco pressionou os mercados acionários e também moedas locais.

Na sexta-feira, entraram em vigor mais tarifas dos EUA contra produtos chineses. Os dois países devem continuar a negociar, mas o governo de Pequim reafirmou hoje sua intenção de retaliar e disse que "não se renderá nunca à pressão externa", nas palavras de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. O governo chinês, contudo, ainda não detalhou como pode ser essa retaliação, enquanto o governo do presidente Donald Trump acena com mais uma rodada em breve de tarifas contra produtos chineses.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 1,21%, em 2.903,71 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 1,08%, em 1.622,80 pontos. Papéis do setor financeiro estiveram entre os mais penalizados em Xangai, com quedas de cerca de 2%. O setor de energia, por sua vez, registrou baixas modestas.

No Japão, o índice Nikkei fechou em queda de 0,72%, em 21.191,28 pontos. A Bolsa de Tóquio recuou pelo sexto dia consecutivo, a maior sequência do tipo em oito meses, com ações do setor de tecnologia em baixa, especialmente as ligadas a microchips.

Os contratos futuros de petróleo operam com ganhos nesta manhã, após a Arábia Saudita afirmar que dois de seus navios-tanque que transportam petróleo foram atacados a caminho do Estreito de Ormuz. Com isso, a commodity recupera parte das perdas vistas até agora em maio.

Às 9h31 (de Brasília), o petróleo WTI para junho subia 1,38%, a US$ 62,51 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para julho avançava 1,59%, a US$ 71,74 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

O ministro da Energia saudita, Khalid al-Falih, afirmou que não houve um vazamento de óleo, mas que o ataque no fim de semana causou "danos significativos" às duas embarcações. Ele qualificou o episódio como sabotagem, sem apontar o suposto autor.

O Estreito de Ormuz é uma passagem estratégica para os produtores do Golfo Pérsico. Estrategista do BNP Paribas, Harry Tchilinguirian diz que a ameaça à livre circulação de petróleo em uma das áreas mais cruciais do mundo naturalmente apoia os preços. A SEB Markets corrobora na mesma linha, para explicar o movimento.

Nas últimas semanas, os preços têm sido pressionados, com investidores tirando um pouco do foco sobre os fundamentos para a oferta e a demanda para a deterioração das relações comerciais entre EUA e China. Nesta semana, há ainda expectativa pelos relatórios mensais da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Agência Internacional de Energia (AIE).

A expectativa de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 recuou pelo 11ª semana consecutiva e passou de 1,49% para 1,45%, conforme o Relatório de Mercado Focus. Há quatro semanas, a estimativa de crescimento era de 1,95%. Para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do PIB em 2,50%. Quatro semanas atrás, estava em 2,58%.

A projeção do Banco Central (BC) para o crescimento do PIB em 2019 é de 2,0%. Esse porcentual foi atualizado no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março.

No Focus de hoje, a projeção para a alta da produção industrial de 2019 foi de 1,76% para 1,70%. Há um mês, estava em 2,30%. No caso de 2020, a estimativa de crescimento da produção industrial permaneceu em 3,00%, igual ao visto quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2019 passou de 56,30% para 56,20%. Há um mês, estava em 56,20%. Para 2020, a expectativa seguiu em 58,30%, mesmo patamar de um mês atrás.

O Burger King Brasil reportou lucro líquido de R$ 3,051 milhões no primeiro trimestre de 2019, resultado que representa queda de 65,4% em relação ao mesmo período de 2018. Excluindo os efeitos da norma contábil IFRS 16, o lucro líquido teria totalizado R$ 8,1 milhões, segundo o informe de resultados.

O grupo biofarmacêutico Biotoscana Investments registrou queda de 49,9% no lucro líquido do primeiro trimestre em moeda nominal ante o mesmo período do ano anterior, para R$ 8,0 milhões. Em moeda constante, a redução seria de 19,4%. No demonstrativo ajustado, o resultado foi de R$ 9,4 milhões, excluindo itens não-caixa, queda de 57,9% nominal e de 8,4% constante.
O gráfico diário do IBOV mantém o desenho de OCOI como válido, na minha leitura.

Temos a região de 93.300 respeitada como fundo, assim como a LTA riscada em azul, que conecta os últimos fundos, desde março.

Com base no exterior e índice futuro no Brasil, o qual cede 1,51% enquanto escrevo, teremos uma abertura negativa, com perda da LTA, dos 93.300 e até mesmo da mínima da semana passada aos 92.750.

Logo abaixo há um suporte (92.340), fundo marcado em 17/04.

Se houver reação e o benchmark operar acima de 92.740, um pouco depois da abertura, especialmente quando as bolsas norte-americanas iniciarem os negócios às 10h30, poderemos ter um rompimento falso, marcação de fundo duplo e reação intradiária.

Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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