quinta-feira, 21 de março de 2019

Cenário 21/03/2019

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira, após o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) confirmar expectativas de que será paciente e manterá o aperto monetário em suspenso em meio a incertezas globais.

Na China, o índice Xangai Composto subiu 0,35% hoje, a 3.101,46 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto, formado por empresas menores, avançou 0,77%, a 1.697,49 pontos.

Como se previa, o Fed manteve ontem seus juros básicos na faixa de 2,25% a 2,50%. Mas o BC americano também sinalizou que não irá elevar juros até o fim de 2019, diante de sinais de desaceleração da economia global e de outros fatores de preocupação, como tensões comerciais e o Brexit, como é conhecido o processo para que o Reino Unido se retire da União Europeia. Há apenas três meses, o Fed previa dois aumentos de juros neste ano.

Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi teve alta de 0,36% em Seul, a 2.184,88 pontos, e o Taiex subiu 0,55% em Taiwan, a 10.609,55 pontos, mas o Hang Seng caiu 0,85% em Hong Kong, a 29.071,56 pontos, numa virada que veio nos negócios da tarde com o fraco desempenho de ações de tecnologia e do setor imobiliário.

No Japão, não houve negócios hoje devido a um feriado nacional.

Quando os pregões chineses já haviam se encerrado, o Ministério de Comércio da China anunciou que o Representante do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, irão visitar Pequim nos próximos dias 28 e 29 para uma nova rodada de negociações comerciais. No começo de abril, sem data definida, será a vez de o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, visitar Washington para prosseguir com o diálogo comercial, acrescentou o ministério.

Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que as tarifas de Washington impostas a produtos chineses podem continuam em vigor por um "período de tempo substancial". Trump também comentou, porém, que Washington e Pequim estão caminhando no sentido de fechar "um bom acordo".

Os contratos futuros de cobre operam em alta significativa.

Por volta das 9h45 (de Brasília), o cobre para três meses negociado na London Metal Exchange (LME) subia 0,81%, a US$ 6.545,00 por tonelada.

Na Comex, a divisão de metais da bolsa mercantil de Nova York (Nymex), o cobre para entrega em maio se valorizava 1,06%, a US$ 2,9520 por libra-peso.

Por outro lado, o dólar se fortalece nesta manhã em meio a incertezas sobre o Brexit - como é conhecido o processo para o que o Reino Unido se retire da União Europeia - e as negociações comerciais entre Estados Unidos e China, que podem demorar mais do que o esperado para ser concluídas, o que limita a alta dos metais.

Os chineses lideram o consumo mundial de cobre e de outros metais básicos.

Entre outros metais na LME, não havia direção única. No horário indicado acima, a tonelada do alumínio caía 0,41%, a US$ 1.927,00, a do zinco avançava 0,19%, a US$ 2.883,50, a do estanho tinha baixa de 0,28%, a US$ 21.300,00, a do níquel cedia 0,15%, a US$ 13.320,00, e a do chumbo avançava 0,81%, a US$ 2.062,00 por tonelada.

A Lojas Americanas encerrou o quarto trimestre de 2018 com lucro líquido de R$ 272,8 milhões, o que representa uma queda de 4,2% sobre os R$ 284,7 milhões apurados no mesmo intervalo do ano anterior. O resultado do ano foi de R$ 380,5 milhões, 60,1% maior que em 2017. Os números são os mesmos tanto no critério consolidado quanto da controladora.

A B2W apresentou no quarto trimestre do ano passado prejuízo de R$ 67,7 milhões, 94,0% maior do que o de R$ 34,9 milhões no mesmo intervalo de 2017. No acumulado do ano, o prejuízo caiu 3,4%, para R$ 397,4 milhões. A receita líquida cresceu 8,9% no quarto trimestre para R$ 1,978 bilhão, e 3,2% no ano, para R$ 6,488 bilhões.

O investidor começa a quinta-feira calibrando suas posições ao clima misto no exterior, após o tom dovish de Fed e Copom, ontem, e diante das mudanças na reforma da Previdência dos militares e da percepção de perda de capital político do governo para negociar reformas no Congresso, após pesquisa do Ibope mostrar que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro caiu 15 pontos percentuais desde janeiro (de 49% para 34%). 

Isso ocorre em um momento em que um levantamento realizado pelo Estado indica que 212 deputados votariam contra a proposta de reforma da Previdência do jeito que ela foi enviada. Em relação ao projeto de lei de mudança na carreira e nas aposentarias de militares, que prevê uma economia líquida de R$ 10,45 bilhões em 10 anos, ante uma economia total pretendia pela equipe econômica com a Nova Previdência (incluindo servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada) de, ao menos, R$ 1 trilhão, a percepção nas mesas de operação é de que o sacrifício dos militares pode ficar abaixo do esperado em relação a outras categorias, o que pode dificultar as negociações no Congresso. Também a indicação do relator para a proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça pode ficar para a semana que vem, atrasando ainda mais a tramitação das reformas.

O gráfico diário do IBOV mostra uma possível barra elefante, com volume levemente acima da média.

Ela simplesmente confirmou o sinal visto na véspera, sendo esse uma mistura de nuvem negra com harami de topo.

A sessão de hoje será decisiva, no sentido de observarmos se o candle de ontem será negado, confirmado ou se haverá a velha e boa sessão lateral na base do mesmo.

Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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