quarta-feira, 23 de maio de 2018

Ásia e commodities em baixa


Bom dia, investidor!


As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quarta-feira, após comentário desfavorável do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o diálogo comercial com a China.

Ontem, Trump declarou não estar satisfeito com o resultado da última rodada de negociações comerciais com os chineses, ocorrida na semana passada em Washington, embora a veja como um "começo" no sentido de lidar com o gigantesco desequilíbrio na balança comercial dos EUA com Pequim. Horas antes, a China havia anunciado a redução de tarifas de importação sobre carros de 25% para 15%, numa medida que entrará em vigor em julho.

A fala de Trump esfriou os ânimos dos investidores, que dias atrás comemoraram o fato de os EUA e China terem anunciado uma "trégua" nas disputas comerciais enquanto buscam fechar um acordo final.

Na China continental e em Hong Kong, os mercados encerraram os negócios de hoje nas mínimas do pregão. O índice Xangai Composto recuou 1,41%, a 3.168,96 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto, que é em boa parte formado por startups, caiu 1,10%, a 1.834,72 pontos. O Hang Seng, que ontem não operou devido a um feriado em Hong Kong, teve queda de 1,82%, a 30.665,64 pontos.

No Japão, o Nikkei sofreu baixa de 1,18%, a 22.689,74 pontos, à medida que um considerável avanço do iene frente ao dólar pesou em ações de exportadoras, enquanto em Taiwan, o Taiex cedeu 0,48%, a 10.886,18 pontos, pressionado por fabricantes de componentes eletrônicos.

O petróleo opera em baixa nesta quarta-feira em meio a relatos de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) poderia decidir por aumentar sua produção da commodity na próxima reunião marcada para acontecer em junho.

Às 9h27 (de Brasília), o petróleo WTI para julho tinha baixa de 0,58%, a US$ 71,78 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para julho recuava 0,85%, a US$ 78,89 o barril, na ICE.

A Reuters informou ontem que a Opep poderia decidir elevar a produção de petróleo bruto em sua próxima reunião oficial no dia 22 de junho, em meio a riscos relacionados à oferta do Irã e da Venezuela no âmbito das sanções aplicadas pelos EUA.

A Opep e 10 produtores fora do cartel, incluindo a Rússia, cortaram sua produção de petróleo em cerca de 1,8 milhão de barris por dia desde o início do ano passado, como parte de um acordo coordenado para conter o excesso global de oferta que pesava sobre os preços desde o final de 2014.

Os futuros de cobre operam em forte baixa em Londres e Nova York, influenciados por questões de oferta e pela retomada da valorização do dólar.

Por volta das 9h30 (de Brasília), o cobre para três meses negociado na London Metal Exchange (LME) caía 1,90%, a US$ 6.829,00 por tonelada.

Na Comex, a divisão de metais da bolsa mercantil de Nova York (Nymex), o cobre para entrega em julho tinha queda de 2,17%, a US$ 3,0640 por libra-peso.

A maioria de outros metais básicos da LME também se enfraquecia, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse estar considerando medidas para reduzir importações de aço e alumínio da União Europeia em 10%. No horário indicado acima, o alumínio recuava 0,64%, a US$ 2.246,50 por tonelada.

Fatores de oferta e variações cambiais também pesam nos preços dos metais.

Notícia da agência de notícias Bloomberg de que a Rio Tinto está prestes a aceitar US$ 3,5 bilhões por sua participação na mina de cobre de Grasberg, na Indonésia, gerou confiança na continuidade de sua produção, segundo estrategistas do ING. A expectativa é que a fatia seja adquirida pela estatal indonésia PT Inalum, o que aliviaria tensões sobre o vencimento da licença de mineração temporária da Rio Tinto.

O governo da Indonésia e gigantes globais da mineração há anos estão envolvidos em disputas sobre a propriedade de recursos naturais deste país do extremo oriente asiático.

Já o dólar retomou sua escalada recente nesta manhã, após se enfraquecer nos negócios de ontem, tornando os metais menos atraentes para investidores que utilizam outras moedas.

Entre outros metais na LME, o zinco recuava 1%, a US$ 3.010,50 por tonelada, o níquel diminuía 2,26%, a US$ 14.480,00 por tonelada, e o chumbo perdia 0,59%, a US$ 2.451,00 por tonelada, mas o estanho era exceção e mostrava alta marginal de 0,02%, a US$ 20.620,00 por tonelada. 

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, confirmou ontem à noite que o governo fechou um acordo com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), para eliminar a Cide incidente sobre o diesel. Em contrapartida, o Congresso deverá aprovar a reoneração da folha de pagamento.

Além da reoneração da folha neste ano para parte dos setores atualmente beneficiados, a partir de dezembro de 2020 nenhum setor contará mais com a desoneração. Guardia não respondeu quais setores manterão o benefício por mais dois anos e meio. A urgência para a votação do projeto no plenário da Câmara já foi aprovada, mas o relator, deputado Orlando Silva (PCdoB), ainda não apresentou o seu parecer final.

Segundo o ministro, como o governo tem pouca margem de manobra dentro do Orçamento deste ano, os recursos que deixarão de ser recolhidos com a Cide sobre o diesel serão compensados pelo reforço de arrecadação com a reoneração da folha. "Estamos fazendo algo absolutamente equilibrado do ponto de vista fiscal", alegou.

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, Rodrigo Maia fez o que pôde para tomar a dianteira do anúncio das medidas que o governo pretende usar para baixar o preço dos combustíveis. No domingo, Maia foi o primeiro presidenciável a defender publicamente, via Twitter, que o governo zerasse a Cide e diminuísse a alíquota do PIS/Cofins para ajudar a diminuir os preços da gasolina e do diesel.


IBOV abre em forte baixa

O gráfico diário do IBOV mostra o benchmark operando em um ponto de clímax, formado pela LTA que guia os preços desde a quinta-feira negra (JBS), banda de bollinger inferior, média móvel de 5 períodos e o forte e decisivo 82.200, que separa o joio do trigo.

A abertura dessa quarta-feira deverá ser de baixa, com teste de 82.200 como suporte logo nos primeiros negócios.

Na minha visão esse suporte será perdido em um primeiro momento, lançando o mercado próximo da mínima das duas últimas sessões e consequentemente da semana (região de 81.600).

Após o stress da abertura, tanto a mínima da semana quanto 82.200 serão pontos-chave para determinar o rumo dos negócios.

Se o mercado segurar, mostrar resiliência e deixar sombra inferior, será um relevante sinal de força dos touros no curto prazo.





Bons negócios!


Wagner Caetano, para o Cartezyan
Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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