segunda-feira, 19 de março de 2018

G-20 e FED pautam a semana


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As bolsas asiáticas fecharam sem direção única e com volume de negócios reduzido nesta segunda-feira, refletindo o ambiente de cautela na região antes da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), amanhã e quarta-feira.

A expectativa é que o Fed volte a elevar juros nesta semana, o que seria o primeiro ajuste desde dezembro, mas investidores ficarão atentos principalmente a sinais de quantas vezes o BC americano poderá aumentar suas taxas básicas em 2018. Vários analistas ponderam que a força recente demonstrada pela economia dos EUA abre o caminho para quatro elevações de juros este ano, e não apenas três, como se previa anteriormente.

No Japão, pesaram também preocupações com o escândalo político envolvendo a primeira-dama do país, Akie Abe. Falando a parlamentares, o primeiro-ministro Shinzo Abe voltou a negar hoje que ele ou sua esposa tenham participado na venda irregular de um terreno público a uma operadora de escolas.

O iene se fortaleceu ante o dólar enquanto o escândalo era discutido no Parlamento japonês, ajudando a pressionar o índice Nikkei, que caiu 0,90% na Bolsa de Tóquio, encerrando o pregão a 21.480,90 pontos.

Segundo o chefe de economia e estratégia do Mizuho Bank, Vishnu Varathan, há temores ainda de que Japão não consiga se defender da tendência cada vez mais protecionista dos EUA com um "líder de capital político reduzido".

Na China, por outro lado, os mercados tiveram um dia positivo. O Xangai Composto subiu 0,29%, a 3.279,25 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,27%, a 1.868,05 pontos. No fim de semana, o Congresso Nacional do Povo não apenas confirmou novos mandatos para o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang, como também nomeou Yi Gang para chefiar o banco central chinês (PBoC), no lugar de Zhou Xiaochuan, que ficou no comando da instituição por 15 anos.

O temor de uma guerra comercial na economia mundial já provocou desaceleração dos fluxos dos fundos de investimento focados em mercados emergentes, ressalta o Instituto Internacional de Finanças (IIF), que reúne os 500 maiores bancos do mundo e que faz em Buenos Aires a partir deste domingo um encontro paralelo à reunião ministerial do G-20. Os dados preliminares mostram que os aportes no mercado de renda fixa praticamente pararam nos últimos dias, enquanto os investidores de bolsas estão mostrando grande nervosismo, ressalta o documento.

Desde que o mercado financeiro mundial passou a ficar mais volátil, no começo de fevereiro, quando as bolsas em Nova York tiveram a maior queda diária em anos, o IIF nota que os grandes investidores internacionais estão ficando bem mais seletivos quando decidem em que mercado emergente vão aportar recursos. A Ásia, por exemplo, tem mostrado crescente saída de capital, mas a Coreia do Sul e a Tailândia estão registrando ingresso de capital. A África do Sul é outro país que tem recebido capital internacional, com os investidores animados com a transição política no país.

Os futuros de minério de ferro e de aço negociados na China fecharam em forte baixa nesta segunda-feira, após atingirem mínimas em quatro meses durante a sessão, em meio a preocupações com o avanço nos estoques e tarifas impostas pelos EUA.

Em Dalian, o contrato futuro do minério de ferro caiu 2,9% hoje, enquanto em Xangai, o de vergalhão de aço recuou 1,7%.

A demanda relativamente fraca, mesmo no início da temporada de construção, e temores de que as exportações chinesas enfrentem barreiras tarifárias ainda maiores dos EUA prejudicam a perspectiva dos preços.

Analistas, porém, preveem que os cortes na capacidade de produção de aço, como parte de esforços de Pequim para controlar a poluição, e a estabilidade da demanda doméstica devem evitar que os preços caiam muito. 

A economia brasileira começou o ano de 2018 em contração. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,56% em janeiro ante dezembro de 2017, na série com ajuste sazonal, informou há pouco a instituição.

O índice de atividade calculado pelo BC passou de 138,99 pontos para 138,21 pontos na série dessazonalizada entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018. Essa é a primeira queda desde agosto do ano passado, quando o índice recuou 0,32% (na série revisada) na comparação com o mês anterior na série com ajuste.

A queda do IBC-Br ficou dentro do intervalo obtido entre 28 estimativas do mercado financeiro coletadas pelo Projeções Broadcast, que previam desde a queda de 2,60% à expansão de 0,20% na comparação mensal. O número divulgar, porém, ficou melhor que a mediana que indicava expectativa de queda de 0,80%.

Na comparação entre os meses de janeiro de 2018 e 2017, houve alta de 2,97% na série sem ajustes sazonais. Nesta série, o IBC-Br marcou 133,07 pontos em janeiro, ante 129,23 pontos em igual mês do ano passado. Na comparação anual, o resultado também ficou dentro das projeções coletadas pelo Projeções Broadcast, que variaram de +1,20% a +3,35%, com mediana de +2,40%.

O mercado financeiro alterou suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2018. A expectativa de alta para o PIB este ano passou de 2,87% para 2,83% no Relatório de Mercado Focus, divulgado há pouco. Há um mês, a perspectiva estava em 2,80%. Para 2019, o mercado manteve a previsão de alta do PIB, de 3,00% pela sétima semana consecutiva.

O Banco Central atualizou suas projeções para o PIB no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado em dezembro. Para 2018, a estimativa é de 2,6%. Segundo o IBGE, o crescimento do PIB brasileiro em 2017 foi de 1,0%.

No Focus de hoje, a projeção para a produção industrial de 2018 passou de avanço de 3,97% para alta de 3,98%. Há um mês, estava em 3,51%. No caso de 2019, a estimativa de crescimento da produção industrial continuou em 3,50%, ante 3,20% de quatro semanas antes.

No Focus de hoje, a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2018 seguiu 55,00%. Há um mês, estava em 55,30%. Para 2019, a expectativa no boletim Focus continuou em 57,60%, ante 57,70% de um mês atrás. 

Os contratos futuros de petróleo operam em baixa nesta manhã, após acumularem ganhos nas três últimas sessões, incluindo um forte avanço de quase 2% que veio no fim dos negócios de sexta-feira.

Às 10h07 (de Brasília), o barril do Brent para maio caía 0,11% na IntercontinentalExchange (ICE), a US$ 66,14, enquanto o do WTI para o mesmo mês recuava 0,24% na New York Mercantile Exchange (Nymex), a US$ 62,26.

Na última semana, o Brent acumulou valorização de 1,67%, diante da avaliação de que há riscos geopolíticos à oferta global e de uma perspectiva mais favorável para a demanda apresentada pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Na quinta-feira (15), a AIE elevou sua projeção para a demanda global por petróleo neste ano, para 99,3 milhões de barris por dia, com a avaliação de que esse apetite maior pela commodity irá compensar a forte expansão da produção de óleo de xisto nos EUA e manter o mercado equilibrado.

Nesta semana, os investidores ficarão atentos aos últimos dados sobre estoques e produção dos EUA e também à decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que na quarta-feira (21) deverá anunciar sua primeira alta de juros desde dezembro. 

O cobre opera em queda na manhã desta segunda-feira, pressionado pelo dólar mais forte. Embora a moeda americana esteja em geral mais fraca ante outras divisas de países desenvolvidos nesta manhã, ela subiu cerca de 1% ao longo do último mês e 0,4% apenas ao longo dos últimos cinco dias. Além disso, investidores monitoram o risco de entraves ao comércio global e seus possíveis impactos para os metais básicos.

Às 10h05 (de Brasília), o cobre para três meses recuava 1,1%, a US$ 6.812 a tonelada, na London Metal Exchange (LME). O cobre para maio tinha baixa de 1,03%, a US$ 3,0755 a libra-peso, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).

Mais cedo, o alumínio caía 0,48%, a US$ 2.074 a tonelada, o zinco recuava 0,32%, a US$ 3.247 a tonelada, o estanho tinha baixa de 0,36%, a US$ 20.910 a tonelada, o níquel caía 1,14%, a US$ 13.435 a tonelada, e o chumbo tinha queda de 0,32%, a 2.370 a tonelada. 

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O gráfico diário do IBOV mostra uma cunha acionada no pregão da quinta-feira passada, com inclinação das médias móveis para baixo, abrindo espaço mais a continuidade da correção de preços.

Após algumas semanas, cujos pregões das respectivas sextas-feiras foram de reação compradora, em sua maioria com fechamento na máxima da sessão, no pregão do dia 16/03 isso foi quebrado, deixando um sinal diferente no gráfico.

Como consequência natural temos a venda pressionando na abertura dos negócios hoje, com perda da LTA de médio prazo que guia os negócios desde o fundo de dezembro.

Vale destacar que temos suporte forte, imediato e decisivo em 83.900.



Bons negócios!

Wagner Caetano, para o Cartezyan

Diretor da TopTraders
contato@toptraders.com.br

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