quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Aversão ao risco na véspera do payroll e do IPCA


Cenário Especial Macroeconomia e Mercados, por Eduardo Velho

Nesta quinta, avaliamos que o contexto predominante seria de menor aversão ao risco, beneficiando um ajuste de realização do dólar doméstico (mas, moderado e pontual) e alta dos preços das commodities. Hoje, as projeções de crescimento revistas para alta em 2016 para importantes economias europeias tendem a favorecer o euro ante o dólar (da Zona do Euro, de 1,7% para 1,9% e para 1,3% e 1,8% para a Itália e França, respectivamente), às vésperas do payroll e do IPCA de sexta-feira. 

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MERCADOS: O contexto de realização técnica e de menor aversão ao risco deve ser a predominância dos mercados internacionais, com recuperação apenas “pontual” dos preços das commodities no exterior.

INTERNACIONAL: Hoje, esperamos que as projeções de crescimento revistas para cima de importantes economias europeias tendem a fortalecer o euro ante o dólar, mesmo que seja pontual, ou seja, não seja a tendência para o ano. Foco com a crise ucraniana e a  negociação grega, pois mesmo com o alívio de “ sem radicalismo”, o alívio da dívida grega não é consenso entre FMI, França e Alemanha por exemplo.

DÓLAR: Especulações em orno do aumento do IOF sobre estrangeiros na aplicação de renda fixa potencializa a alta do dólar, mas com espaço para realização moderada do dólar na abertura. Dólar piso de R$ 2,7/US$ em nosso cenário para o final deste mês.

JUROS: Contexto de nova reavaliação das projeções de inflação poderia manter o canal de alta dos juros futuros e sobretudo da aposta majoritária de alta da Selic em 0,5 no Copom de março para 12,75%. Entretanto, “escolha Petrobrás” e “resposta de cortes e aumento de impostos” potencializam repercussão no recuo dos prêmios nas próximas.

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Na ausência de alteração relevante nas projeções de inflação e da atividade de curtíssimo prazo, o mercado futuro de juros deve prosseguir no dia a dia, a trajetória do dólar no exterior ( e doméstico) e o impacto potencial nos preços.  A aceleração do dólar em fevereiro superior a 2% apenas em alguns dias reforça as apostas, ainda majoritárias na curva futura, na manutenção no ritmo de alta do juro básico em 0,5 p.p, para 12,75% no Copom de março, mas esses prêmios já sofreram oscilações e continuamos a vislumbrar espaço para ajustes de prêmios para baixo na curva curta. O impacto mais claro do componente desinflacionário do hiato do PIB e também da inflação internacional no segundo semestre não pode ser relativizado !!


A expectativa de elevação da taxa de juros nos Estados Unidos até o final do I semestre mantém  a pressão de alta dos juros das treasuries e aqui n Brasil, na curva longa. De fato, ontem, o juro do DI do contrato de jan-2017 e de jan-2021 aumentaram de 12,50% para 12,54% e de 12,0% para 12,11%, respectivamente.

O IPCA de jan-2015 deve ser elevado ( acima de 1,20%), mas já está precificado, mas as previsões de reajustes de preços administrados/monitorados ainda podem sofrer alterações para cima, sobretudo no caso do setor de energia elétrica. Deve-se ressaltar que os programas sociais nesse setor ( da ordem de R$ 8 bilhões) serão custeados na conta de luz dos consumidores .

Na ótica da política fiscal e cambial, avalio que, se efetivamente o governo acionar o aumento do imposto sobre operações financeiras (IOF) sobre ingresso de recursos externos para aplicações de renda fixa, no momento em que o dólar segue pressionado em alta, deverá reforçar esse movimento de desvalorização do real , porém beneficiando o ajuste das contas externas brasileiras. Como destacamos ontem em nosso call matinal, a confirmação de um nome renomado , até mesmo internacionalmente, para a nova gestão executiva da Petrobrás , consolidaria uma nova postura da política microeconômica no II mandato de Dilma.

No mercado internacional , o preço do barril do petróleo parece não ter “forças” para manter um canal de alta de forma sustentável, com a manutenção das cotas de produção da OPEP , do ritmo moderado de crescimento mundial ainda moderado e do nível de estoques. A correção negativa entre o dólar mais caro e commodities em queda deve manter a predominância em 2015. As vésperas do payroll desta sexta-feira, o viés continua positivo para a economia norte-americana , reforçando o nosso cenário base de aumento do juro do fedfund ainda no segundo  trimestre de 2015. De fato,  (i)  consideramos que a geração de empregos privados ( ADP)  da economia norte-americana da ordem de 213 mil - a despeito do número ter ficado abaixo da expectativa de 240 mil – foi robusta no contexto da média do bimestre ( dez-2014 e jan-2015), com revisão para cima dos dados de dezembro e comparativamente ao mesmo período de dez-2013 – jan-2014 Além disso , (ii) o viés foi de alta de indicadores relevantes do setor de serviços do instituto Markit e sobretudo do ISM.

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Eduardo Velho
Economista e Consultor de Investimentos
Especial para o Cartezyan

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